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Complexidades - ponto por ponto (1)

A Educação é, ainda hoje, o meu mundo. E foi a minha vida. Sempre me senti bem no universo escolar. No mundo infantil. Foi uma experiência imemorável, enriquecedora sob todos os aspectos, com afectos e muitas cumplicidades de parte a parte. Dei o meu melhor, sempre. Pelas minhas mãos passaram muitos sonhos e muita irrequietude. Muita ingenuidade e muitas histórias. Muita energia e muito carinho. Nunca tive alunos indisciplinados ou alunos que me incomodassem na grandiosa e laboriosa tarefa de ensinar e de socializar. Dei pouco e recebi muito. Aprendi mais, do que aquilo que ensinei. Moldei a minha personalidade, refinei os meus saberes, tornei-me mais reflexivo e sensível. Agucei o espírito crítico. A minha visão do mundo alargou-se e na minha memória depositaram-se belíssimas histórias de vida. Sou um produto desta Escola determinada e empenhada. Por isso, lhe devo muito. Foram os meus alunos que me proporcionaram o orgulho de ter sido professor. A sala de aula era o meu refúgio, onde me sentia confortável, protegido e realizado. Gostei imenso daquilo que fiz. Ser professor era e é, além de tudo, uma missão e um compromisso sério. Assumi-o na sua plenitude. Não esquecerei nunca. Tive sorte com os alunos, com os pais e com a maioria dos colegas que comigo partilharam estas vivências. Vivências profundamente humanas. Estou-lhes vivamente agradecido. 1 - Complexidades - O Sistema Educativo não encerra qualquer tipo de complexidades que possa desvirtuar o atingir do seu objectivo mais básico e natural: contribuir para a construção de uma sociedade melhor, mais formada e mais desenvolvida sob o ponto de vista social. A Escola continua, infelizmente, a trilhar um caminho bastante tortuoso, volúvel, de construção de alunos semi-deuses, intocáveis, e sempre sujeito aos "caprichos" dos responsáveis por esta importantíssima área da governação. Quando chegam ao ministério, ei-los a mexer em tudo e em mais alguma coisa. São incapazes de estarem quietos. Antes de mexerem, deveriam sentir, primeiro, o cheiro da realidade escolar. E depois, com bom senso e com sabedoria fazer os ajustes necessários. Só ajustes e nada mais. Dever-se-iam ocupar em arranjar maneiras eficazes de desburocratizar o Sistema, de lhe conferir rigor e de estabelecer normas sérias de condutas congruentes para disciplinar os alunos. A indisciplina é galopante e perigosa para a saúde da Educação. Só com rigor se pode tornar a Escola verdadeiramente inclusiva. É preciso mesmo credibilizar a intuição escolar e retirar-lhe toda a carga de ideologia partidária. É preciso construir uma verdadeira Escola pluralista, responsável e eficaz. É preciso, sim senhor! A Escola é uma Sistema humanizado simples. Uns para ensinar, outros para aprender, outros ainda para optimizar as condições físicas, logísticas, dos recursos humanos, entre outras valências, para se efectivar o processo ensino-prendizagem com eficiência e qualidade. São estes, os vértices do triângulo equilátero que vão processar toda uma dinâmica, toda uma estratégia bem pensada, toda uma consecução de objectivos que vise satisfazer as necessidades de um país que quer e tem que avançar para o futuro com segurança e com expectativas positivas. A Escola como geradora de esperança e de confiança. Como motor de desenvolvimento e de bem-estar. Como uma porta aberta aos saberes, aos valores da cidadania, ao desenvolvimento do espírito crítico. Sem medos e sem traumas. Uma Escola liberta de preconceitos ideológicos e de pensamento livre.
Autor: Armindo Oliveira
DM

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23 fevereiro 2018