Tem-se verificado, desde há algum tempo, e mais recentemente, situações ligadas aos cidadãos que zelam pela nossa segurança que constituem anomalias na vigilância de proximidade, parcialmente preocupantes, uma vez que limitam ou restringem a sua atuação. Face às consequências daí advenientes, é preciso ter uma presença de espírito adequada às exigências emergentes, difíceis de controlar face aos problemas, por vezes graves e incontroláveis, entre a ação e a interpretação cognitiva de ocorrências imprevisíveis.
A liberdade tem limites no respeito dos princípios e valores, pois só assim se pode compreender a função daqueles que são o cerne da nossa segurança num país democrático.
As forças de segurança merecem o nosso apoio, o nosso respeito e solidariedade na sua difícil missão, principalmente nos dias de hoje, face à aceleração das exigências imediatas e adequadas a cada situação, causando por vezes ações muito repentinas e difíceis de controlar.
É certo que houve no passado recente cidadãos ligados à segurança que talvez não fossem selecionados da melhor forma e com um grau de formação insuficiente.
Para controlar ou evitar estas situações são precisas ações de formação, com objetivos predefinidos para exercer a sua missão, com dignidade entrecruzada com solidariedade, sendo importante o recrutamento adequada a nível oficial, promovido pela hierarquia do Estado, sabendo compreender quão difícil é tomar decisões rápidas com consequências de difícil controlo.
Vivem-se atualmente alterações profundas na sociedade, onde o código de conduta e a disciplina estão fragilizados, por motivos de ordem diversa, e donde resulta uma retração na atuação, adaptada a cada caso, pois as faltas de respeito, os desacatos e as provocações, quantas vezes remetentes à desestruturação familiar ou da sociedade, ficam condicionadas ao momento de agir e como agir. É imprevisível cognitivamente tomar a decisão adaptada a cada circunstância, pois nem todos somos iguais. Por outro lado, uma posição estática é mais cómoda e é imprevisível a reação face às ocorrências, pois a pressão é permanente. Como é possível controlar o ego ou então haver passividade ao sofrimento e tensão quotidiana no dia a dia, quer em serviço, quer em descanso?
Hoje em dia torna-se algo complexa a atuação das forças de segurança públicas, pois a sociedade encontra-se numa mudança acelerada, com perda valores e sem respeito pelo limite da liberdade mútua.
A evolução dos meios de comunicação, através das novas tecnologias, conduzem à fraturação da forma de ser e de estar de jovens e de adultos, endógenos ou exógenos, pois o acompanhamento familiar é por vezes limitado, por força da subsistência e da obtenção de meios para a formação dos descendentes.
É preciso olhar para as forças de segurança com humanismo e como pilar fundamental para proteger os cidadãos, manter a ordem pública e salvaguardar a vivência democrática, mas sabendo que têm o apoio oficial e que não os abandonam para se libertarem de responsabilidades, sabendo-se a considerável diminuição de recursos humanos, devido às reformas sem substituição, para reduzir os custos orçamentais.
É penalizador anotar o elevado grau de insultos, agressões, depressões, baixas prolongadas e suicídios de agentes de segurança, como consequência de situações frequentes e imprevisíveis e anárquicas, que resultam da indefinição da atuação face às consequências que podem resultar para a sua carreira profissional, com reflexos familiares.
Os órgãos de governação e de justiça devem estar próximos das forças de segurança, não lhes restringindo os meios necessários humanos e materiais, para atuarem com responsabilidade e serenidade, função das comunidades autóctones e dos imigrantes, procurando conhecer e respeitar a sua cultura, mas estas têm obrigação de respeitar a cultura do país que as acolhe.
Àqueles que são o cerne da nossa segurança pública, em diversas áreas, dentro ou fora do país, é necessário transmitir estímulo e confiança para atuarem da forma mais adequada, pois sem eles o país entraria numa desordem institucional, podendo originar a desagregação de uma sociedade democrática e com eventual retorno ao passado, mediante ideologias cativantes mas sem efeitos práticos na correção das desigualdades.
Autor: Bernardo Reis