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A elevação patrimonial do Bom Jesus do Monte

Qualquer um de nós gosta de receber boas notícias. Anima-nos a vida, aumenta o nosso ego, eleva-nos a autoestima, dá-nos outra disposição e evidenciamos comportamentos de felicidade e de bem-estar pessoal, tornando-nos mais sorridentes.

Os bracarenses e a sua cidade, os portugueses e o seu país e, porque não, o mundo em geral receberam com satisfação e orgulho a excelente notícia de ter dado entrada e ter sido aceite pela UNESCO a candidatura do Santuário do Bom Jesus do Monte a património da humanidade.

O processo de candidatura já foi entregue no Centro do Património Mundial instalado na Organização das Nações Unidas (ONU). Resta agora aguardar com serenidade o desfecho do reconhecimento ímpar de um espaço constituído por um escadório único em Portugal, pela presença do funicular, considerado uma das principais atrações turísticas naquela zona, um envolvimento paisagístico que engrandece a sua beleza ambiental e um local de devoção espiritual que remonta a 1784, projetado pelo Arcebispo D. Gaspar de Bragança e com a assinatura do arquiteto bracarense Carlos Amarante.

Quem sobe os 581 degraus, que terminam no Terreiro de Moisés, depara-se com um conjunto de fontanários até ao topo do Santuário, cujo significado é muitas vezes desconhecido. O “Escadório dos Cinco Sentidos” é constituído pela Fonte da Visão, caraterizada por uma figura que lança água pelos olhos, e possui a inscrição: "Varão prudente toma-as por um sonho e assim vigiarás”. Do lado direito, uma estátua de Moisés traz a inscrição "Aqueles que feridos olhavam saravam", e outra de Jeremias com a inscrição "Eu vejo uma cara vigilante".

A Fonte da Audição tem uma figura de David que lança água pelos ouvidos, uma estátua de Idito a tocar cítara e a inscrição "Que cantava ao som da cítara, presidindo os que cantavam e louvavam o Senhor". Do lado esquerdo encontra-se a inscrição "Ao meu ouvido darás gozo e alegria", defronte a uma mulher com a inscrição "Tua voz soe aos meus ouvidos".

A Fonte do Olfato carateriza-se por uma figura que lança água pelo nariz, com uma estátua de um varão encabeçada pela inscrição "Dai flores como o lírio e rescendei suave cheiro". Do lado esquerdo encontra-se a figura de Noé, e do direito Sulamita com a inscrição: "A tua estatura é semelhante a uma palmeira... e o cheiro da tua boca é como o das maçãs".

A Fonte do Paladar carateriza-se por uma figura que lança água pela boca, com uma estátua de José do Egito com um cálice e um prato nas mãos e a inscrição "A tua terra seja cheia das bênçãos do Senhor, dos frutos do céu e do orvalho". Do lado esquerdo, a figura de Jónatas com a inscrição "Provei um pouco de mel na ponta duma vara e eis porque morro" e, do direito, Edras com a inscrição "Prove o pão, e não nos abandones, como o pastor no meio dos lobos".

A Fonte do Tato possui uma figura que segura uma bilha com as duas mãos, de onde lança água, com a estátua de Salomão e a inscrição "As minhas entranhas estremeceram ao seu toque". Esta estátua está ladeada por Isaías, com a inscrição "Tocou a minha boca", e a de Isaac, invisual, com as mãos estendidas à procura do filho e a inscrição "Chega-te a mim, meu filho, para que te toque" (Wikipédia).

Temos ainda o “Escadório das três Virtudes”, reportadas à teologia da Fé, Esperança e Caridade que é formado pela Fonte da Fé que apresenta a inscrição "Correrão dele águas vivas", e as suas alegorias referem-se à Docilidade e à Confissão.

A Fonte da Esperança, com uma figura da arca de Noé por baixo da qual cai a água. Tem a inscrição "Arca na qual... se salvaram almas", e as alegorias referem-se à Confiança e à Glória.

A Fonte da Caridade, com uma estátua de mulher com duas crianças nos braços, com a inscrição "São três estas virtudes... a maior delas, porém, é a caridade". A água jorra do coração de uma das crianças, e as alegorias referem-se à Benignidade e à Paz” (Wikipédia).

O Santuário do Bom Jesus do Monte será sempre um ex-libris que orgulha os bracarenses e todos os seus visitantes. É um símbolo e um embaixador pela sua importância e singularidade, pela sua dimensão histórica, pelo valor do património arquitetónico, paisagístico, social e espiritual, num dos mais belos lugares de culto cristão existentes em Portugal. É com todo o mérito que lhe assiste o reconhecimento pela UNESCO na lista dos monumentos a Património da Humanidade.


Autor: Albino Gonçalves
DM

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5 fevereiro 2018