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A congruência da Igreja com o ser da ôntica natureza humana

Nesta tese levanta-se a necessidade da análise e a definição de dois termos que exigem um esclarecimento claro e distinto: a Igreja e a ôntica natureza humana, análise seguida, imediatamente, do termo congruência. A Igreja, vista como uma congregação existencial, por nós construída, é tida, historicamente, por uma reunião de fiéis à volta do seu Profeta (Jesus, Moisés, Buda…), no sentido de, com eles, alcançarem, pela vida fora, o verdadeiro e último fim da vida quotidiana – a salvação eterna (o paraíso no seio de Deus). A Igreja, vista como uma congregação transcendental, inserida no seu meio ambiente externo e interno, é a união, a integração, a conexão e a sintonização de todos os fatores bio psíquicos (sistema nervoso, intimamente conectado com as estruturas cognitivas, afetivas, emocionais, comportamentais) para bem servirem, através da sua congruência com o espírito do ôntico Ser, o Bem, as necessidades, desejos e aspirações, em evolução progressiva para o bem humanístico, o bem pelo bem. Ao compararmos, em teoria, as duas Igrejas, a Igreja Existencial (a manifestadora da Igreja Transcendental) e esta, sua superadora, vêm logo ao de cima as seguintes e breves diferenças. A Igreja Existencial, construída pelos fiéis, como existencial, goza das caraterísticas próprias da existência, tais como as contingências, as mudanças, a instabilidade, a pessoa (tida por objeto), a ânsia do poder e do comando, as estruturas hierárquicas, a violência espiritual, o prestígio, a fama e tantas outras. A Igreja Transcendental, inata, inerente ao ôntico e humano ser,é simples, universal, estável, imanente nos seus transcendentais relacionamentos… O ser ôntico é o espírito materializado da nossa autêntica natureza que confere à pessoa, sua ativa e inteligente embaixatriz, o prestígio de, com imanência, se relacionar com toda a existência, de se relacionar com a sua íntima transcendentalidade e, que maravilha, com o Ser Transcendente (Deus). A congruência, fortalecida pela união, pela integração e conexão, a chamar pela solidarização, cooperação e colaboração das estruturas bio psíquicas e do seu meio ambiente (externo e interno), é a sintonização com as relações transcendentais, que gozam de imanentes e ativos relacionamentos com todo o ser criado e com Deus. Todo o homem traz no seu íntimo a sua Igreja, a Igreja Transcendental, incólume a todas as circunstâncias e condicionalismos, porque a sua essência é a sua ôntica e humana natureza. Como Transcendental, a Igreja exige, categoricamente, a verdadeira, a amorável, objetiva e real afirmação do ôntico Ser de Deus, através do estrelado céu da oração, da meditação e da religião, tudo fundamentado nas relações de amor, verdade, vida, paz, misericórdia, como terapia da Igreja existencial. Agredi-la supõe a autodestruição do agressor, seja quem for, como autónomo, livre e responsável. Vivê-la é espevitar, progressivamente, com toda a criação, o incêndio galopante e humanístico (o bem como bem) emanado do ôntico coração humano.
Autor: Benjamim Araújo
DM

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14 fevereiro 2018