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Saara Ocidental: traição de socialistas Espanhóis e centristas Franceses

O imbróglio geopolítico do Saara/Sahara/Sara Ocidental espoletou um problema de mediação da ONU sem fim. O maior respeito pelo Povo de Marrocos, bem sabendo que Portugal está cheio de espiões do seu Rei! Não podemos tolerar, todavia, que haja inúmeros desaparecidos, torturados e mortos que lutam pela independência do Saara. O problema do Saara Ocidental continua como 1 das questões geopolíticas mais profundas de África: a “última colónia do continente”. O Saara Ocidental fica no Noroeste Africano com fronteiras com Marrocos, Argélia, Mauritânia e Oceano Atlântico. Há 1 disputa de soberania que recua a 1975, assim que a Espanha abandonou de modo solene o domínio colonial. A “fuga” Espanhola deu lugar a 1 lacuna de poder que desembocou numa guerra entre Marrocos e Frente Polisário, a qual reivindica a autodeterminação e independência total do Povo Saarauí. Recorde-se que a famosa saga da “Guerra das Estrelas” no cinema de George Lucas inspira-se nos Povos Berberes do Norte de África, v.g. Tunísia. Ora, a população nativa do Saara Ocidental, Povo Saarauí, é o resultado da fusão histórica entre tribos Berberes locais, Sanhaja, e as Árabes, Beni Hassan, que chegaram à região a partir do século XI. Para a História, o conflito acentuou-se assim que as forças Marroquinas avançaram militarmente para o Saara Ocidental depois da assinatura dos Acordos de Madrid. Marrocos aumentou o seu controlo para 80% na região, incluindo o litoral e ricas reservas de fosfato e pesca. Para solidificar o seu domínio e não deixar as investidas da Frente Polisário, Rabat edificou um muro militar com mais de 2.700km. E Ceuta e Melilha não podem fazer 1?! Entretanto, a Polisário proclamou a “República Árabe Saarauí Democrática”, e edificou acampamentos de refugiados na província de Tindouf, perto da aliada Argélia, onde milhares de saarauís vivem aí desde os anos 70 em condições sub-humanitárias. A ONU tem uma palavra essencial aqui desde 1963, quando incluiu o Saara Ocidental na lista de “territórios não autónomos sujeitos a descolonização”. Depois de embates armados brutais, a ONU clamou por um cessar-fogo formal em 1991. E, por meio da Resolução do Conselho de Segurança, estabeleceu a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental: a MINURSO. De início, esta missão edificava-se na organização dum Referendo Livre para que os Saarauí optassem entre independência ou integração em Marrocos. Todavia, a concretização deste referendo transformou-se num nó górdio sistemático que dura desde os anos 70. A discórdia está na definição do caderno eleitoral. Marrocos quer a inclusão dos cidadãos Marroquinos estabelecidos na região, enquanto a Frente Polisário teima em limitar, e bem, o direito de voto aos censos originais da época colonial. Perante este obstáculo, o referendo nunca se produziu, transformando a MINURSO numa das missões de paz mais demoradas do sistema político internacional. Nos últimos anos, a diplomacia na ONU começou a sofrer fundas modificações. Marrocos apresentou um Plano de Autonomia que propõe uma autoridade local sob a soberania de Rabat, mantendo igualmente o controlo central na defesa e na política externa. Nos últimos anos, infelizmente, EUA, França e a Espanha do sr. Sánchez apoiaram de modo claro esta proposta, apelidando-a como “o alicerce mais credível e realista para alcançar uma resolução durável”. Esta alteração reflecte prioridades de segurança e “luta ao terrorismo no Sahel, onde Marrocos actuaria como um parceiro estratégico”, citamos. Acontece que o Rei de Marrocos ajudou recentemente a invadir Ceuta e Melilha e indultou mais de 630 presos, “entre eles condenados por extremismo e terrorismo". A par disso presidiu a uma importante cerimónia religiosa onde defendeu que Ceuta e Melilha são Marroquinas. Aliás se Marrocos quiser 1 dia fazer uma invasão de Portugal (Espanha tem mais Militares), facilmente fará estragos ao nível do 7 de Outubro em Israel. Basta 1 dia. Uma vez que como é sabido, Portugal não tem exército relevante e seria subjugado. Salvo bolsas de resistência e eventual ajuda da OTAN. E, claro, comentadores de TV! Em relação ao Saara há divisões internas no Conselho de Segurança da ONU. Argélia e Rússia apoiam a Polisário: i.e., Direito à Autodeterminação, alertando, e bem, que qualquer solução imposta sem referendo viola os princípios internacionais. A ONU continua a tentar recuperar os diálogos, mas os lados estão extremados. Enquanto isso, assiste-se a uma montanha-russa entre prática geopolítica e Direito internacional: milhares de refugiados Saarauís vivem nos acampamentos, esperando uma resolução Justa para um confronto que já dura há Meio Século. À espera do seu “D. Sebastião-Jedi”?

Gonçalo S. de Mello Bandeira

Gonçalo S. de Mello Bandeira

28 agosto 2026