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UPCA – uma nova designação, o mesmo compromisso

Agosto marcou uma nova etapa na história do ensino superior politécnico português. No caso do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, essa mudança traduziu-se na adoção de uma nova designação: Universidade Politécnica do Cávado e do Ave – UPCA.

Esta transformação representa o reconhecimento de um percurso construído ao longo de décadas. Um percurso que não se mede apenas pelo crescimento em dimensão, mas também pela qualidade do trabalho desenvolvido, pela capacidade de transformar ambição em resultados e pela relação profunda que a instituição estabeleceu com a comunidade e com o território que serve.

Sou docente nesta instituição há mais de quatro anos e tenho acompanhado este caminho com particular proximidade. Conheço o compromisso dos seus professores e investigadores, a dedicação dos seus colaboradores e, sobretudo, a ambição e a capacidade dos seus estudantes. Por isso, este momento significa, para mim, muito mais do que uma simples alteração de designação.

A condição de Universidade Politécnica reconhece uma instituição que soube diversificar a sua oferta formativa, reforçar a investigação e a inovação e aprofundar a ligação às empresas, às autarquias e às comunidades locais. Reconhece também o seu papel na formação de talento e na procura de respostas para necessidades concretas, através da qualificação de profissionais, da produção de conhecimento e da criação de novas oportunidades.

A importância da UPCA para o desenvolvimento regional é hoje incontornável. Com cerca de oito mil estudantes e presença em seis dos catorze concelhos do distrito de Braga, a instituição exerce uma influência que ultrapassa largamente os limites dos seus campi. É um motor de qualificação dos recursos humanos, de investigação aplicada, de transferência de conhecimento e de inovação, contribuindo para a valorização económica, social e cultural do território.

Esta evolução constitui, por isso, uma excelente notícia para o Minho e, em particular, para o distrito de Braga. A UPCA afirmou-se como um parceiro estratégico das empresas, das autarquias e das instituições locais, acompanhando as transformações da economia regional e ajudando a preparar profissionais capazes de responder aos seus novos desafios.

O exemplo mais recente desta dinâmica é o B-CRIC — Barcelos Collaborative Research and Innovation Center, atualmente em fase final de conclusão. Com um investimento superior a 31,5 milhões de euros, dos quais 14,7 milhões correspondem a financiamento europeu, o novo complexo integrará uma residência académica, um auditório com capacidade para 500 pessoas, laboratórios de investigação e um centro de transferência de tecnologia.

Mais do que a dimensão do investimento, importa compreender o que este projeto representa: uma infraestrutura capaz de aproximar a academia, as empresas e a sociedade, de transformar conhecimento em soluções concretas e de reforçar a capacidade de inovação da economia regional. O B-CRIC demonstra, assim, que o crescimento da instituição não acontece de costas voltadas para o território, mas em diálogo permanente com as suas necessidades e potencialidades.

Falar das instituições de ensino superior da região é falar de investigação, inovação e competitividade. Mas é também falar de coesão territorial. Num tempo em que Portugal enfrenta exigentes desafios demográficos, económicos e sociais, investir no ensino superior significa reforçar a capacidade do país para criar valor, reter talento e competir num mundo em rápida transformação.

Fazê-lo a partir dos territórios, valorizando as suas especificidades e permitindo que milhares de jovens estudem perto das suas famílias e construam o seu futuro sem terem necessariamente de abandonar a região, é uma condição essencial para um desenvolvimento mais equilibrado. Uma instituição de ensino superior não forma apenas diplomados: cria ecossistemas de conhecimento, atrai investimento, estimula a inovação e abre novas possibilidades para as gerações seguintes.

A transformação da UPCA acompanha também a evolução do território onde nasceu. Basta olhar para o que era Barcelos há trinta anos e para o que é hoje: um concelho mais qualificado, dinâmico, inovador e atrativo. Essa mudança resulta naturalmente de múltiplos fatores, mas o contributo da instituição para o desenvolvimento económico, social e cultural do território é inegável.

A UPCA entra agora numa nova etapa. A mudança de designação não representa um ponto de chegada, mas o reconhecimento do caminho percorrido e uma responsabilidade acrescida para o futuro. Ser Universidade Politécnica significa dispor de novas possibilidades, mas significa também renovar o compromisso com a qualidade do ensino, a investigação, a inovação e o serviço à comunidade.

Como docente, sinto esta conquista com particular orgulho. Como minhoto, vejo nela mais uma demonstração da qualidade, da capacidade e da ambição de uma região que continua a afirmar-se.

Toda a comunidade académica está, por isso, de parabéns pelo trabalho realizado e pelo compromisso que diariamente mantém com a formação das novas gerações e com o desenvolvimento do território.

A UPCA tem uma nova designação, mas conserva a identidade que construiu o seu percurso: uma instituição próxima, ambiciosa, ligada à região e aberta ao futuro. É nessa identidade que reside a força do que já alcançou e a confiança naquilo que ainda poderá alcançar.

Paulo Cunha

Paulo Cunha

8 agosto 2026