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A “infalibilidade” ministerial

Na democracia portuguesa, desde abril de 74, passaram pela pasta da Educação 30 Ministros(as) com diferentes designações ministeriais, inclusive o atual. Nos Governos provisórios de 74/75, alguns houve que nem dois meses estiveram no cargo. Já durante período constitucional, iniciado em 76, a maioria nele permaneceu cerca de um ano. Enquanto uma minoria chegou aos 4 anos. E só um, conseguiu a proeza de ultrapassar os 6. O que dá para perceber o quão difícil é aguentar a pasta da Educação em Portugal. 

Tal como agora, nunca houve um Ministro consensual dado terem sido todos contestados no Parlamento, na praça pública e, até, boicotados na sua ação governativa. Nem se vislumbra que possa haver alguém a conseguir chegar mais longe, uma vez que até o presente detentor do cargo, dr. Fernando Alexandre, está, também ele, a ser alvo de pressões com constantes pedidos de demissão. 

No entanto, salvo outras respeitáveis opiniões, considero-o uma pessoa simples, competente e dotado de veia reformadora. E é pena. Porque sem uma reformulação a sério do sistema educativo, capaz de romper com as amarras partidárias, ter um rumo definido e estável, continuaremos a ver finalistas universitários proclamarem 1.º rei de Portugal o dr. Mário Soares, a dizerem que 4x9 são 48 e a levarmos com baixa cotação no PISA da OCDE.

Já todos sabemos da existência de uma crise motivada pela falta professores na Escola Pública, ou porque uns se reformaram e outros por força da baixa médica. O que complica as contas a qualquer governante que pretenda atingir o pleno em termos de colocações e no preenchimento dos horários escolares. Embora não possamos ignorar que quem se aposenta é por já ter trabalhado o tempo estipulado por lei. Já quanto às baixas (6.000, desde o início do ano letivo), a “estória” é outra. Há quem adoeça a sério e quem evite ir para a escola, quiçá, por “partidarite aguda”, “infeção” do foro ideológico ou puro absentismo.

Obviamente, que existe um certo tabu relativo a algumas “fraquezas” inerentes a uma classe docente que se pretende continue a ser mui nobre, prestigiada e cumpridora. Contudo, lamento dizê-lo, mas não é possível ignorar a existência de manipulações que prejudicam a vida escolar e a sociedade. A esse propósito, refiro aqueles professores que raramente pondo os pés na sala d’aula se aposentam com as mesmas pensões e regalias dos que devotaram toda a sua vida ao ensino. 

Ora, estando o Ministro a contar ter profissionais suficientes para processar as colocações quando vai a ver, como é voz do povo, sai-lhe o tiro pela culatra. Não podendo eu deixar de dizer que o atual sistema educacional, como está, faz com que seja o próprio docente a chorar em vez da criança que não quer ir para a escola. Daí, existir alguma desmotivação não só pela baralhada das diretivas que emanam dos serviços do Ministério, como pelas excessivas teias burocráticas que o mesmo tece. O que se torna enfadonho para quem leciona, ao ponto de fazer perigar a sua saúde mental. 

Tais agravantes são tão mais preocupantes quanto o grau de ensino a que elas dizem respeito. Como no caso do básico, de primordial importância para os alunos iniciantes na caminhada escolar e no qual adquirem os conhecimentos primários, como alicerces, para vencerem as etapas de toda a sua vida académica. Não sem terem, antes, completado o seu ciclo de brincadeiras com vista à socialização e inclusão no meio escolar.

Por fim, direi que a “infalibilidade” ministerial não existiu, não existe e duvido que venha a existir. Pelo que a sina de qualquer Ministro é a de cedo cair do “poleiro”. Se bem que os dois anteriores, no que à agenda woke diz respeito, não falharam. Já em relação ao atual (que não conheço pessoalmente nem votei na AD), aquilo que vejo, oiço e leio são os habituais “bloqueios” que a FRENPROF – quejandos e os restantes grupos de interesses do setor – sempre aprontam aos Ministros(as) da Educação, Ciência e Inovação.

Narciso Mendes

Narciso Mendes

28 setembro 2026