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Infantino, Trump

 

 

Fiquei enjoado ao ver o presidente dos Estados Unidos a distribuir medalhas aos jogadores da final do campeonato do mundo de futebol. Embora ele fosse o anfitrião, o facto de tentar corromper o presidente da FIFA, deveria inibi-lo de estar presente naquela cerimónia. Mas o facto é que esteve e com a maior    desfaçatez dos propósitos sem se lembrar que era um corruptor num desporto que tem por lema não ser político. Há pessoas que não têm a medida da decência. Talvez Infantino tivesse obrigação de o convidar, mas a    verdade é que, se Trump tivesse um pingo de decência, depois de ser pública a tentativa de suborno, deveria ter mandado o seu vice para o substituir. Mas de Trump tudo se espera porque o seu ego é do tamanho do descaramento. Nada nem ninguém se deve espantar de um homem que deseja ardentemente perpetuar-se na história da América por lápides com seu nome em tudo o que é edifício público. Existe nesta personalidade um infantilismo gritante ou um somatório de frustrações que Trump procura sublimar. O futebol, pelo que se vê, é o desporto de todas as paixões e os seus adeptos ou seguidores sofrem as dores e as alegrias dos sucessos e insucessos com uma intensidade incomensurável. Por isso estão cegos de paixão, se não deveriam ser os primeiros a expulsar das suas comemorações quem quis matar o espírito deste desporto. Ao que sabemos, o perdão pedido a Infantino por Trump era um perdão de uma falta cometida por um jogador americano. Felizmente para o futebol, os Estados Unidos da América foram eliminados da competição e Infantino não foi obrigado a cometer esta ilegalidade. Talvez o fizesse; só assim se compreende a “gratidão”de Trump ao oferecer-lhe a presidência da ONU. Nunca chegamos a saber se o guardanapo ficou limpo ou não foi preciso usá-lo. Para ladrões de honra este exemplo é bem    elucidativo. Como bem diz o povo, “quem não tem vergonha todo o mundo é seu”. Que náusea! Mas vamos para férias e, para as gozarmos em plenitude, vamos esquecer que há gentinha por aí aos molhos como Trump; por isso, que sejam muito felizes todos aqueles que vão de férias de consciência limpa. Boas férias e até Setembro. 

Paulo Fafe

Paulo Fafe

27 julho 2026