O artigo anterior teve como tema principal o antigo selecionador Roberto Martínez e todo o trabalho negativo que desenvolveu à frente da Seleção de Portugal, desperdiçando muito do talento individual de que dispunha. As más opções, as amarras e as influências externas a que o próprio se sujeitou no seu trabalho conduziram a uma saída pela porta pequena. O técnico espanhol deixa poucas saudades, porque nunca soube gerir o grupo que formou, nem explicar de forma convincente as razões das suas escolhas, apesar do esforço que fez para aprender a Língua de Camões.
Rei morto, rei posto. O novo ocupante do cargo de selecionador nacional é Jorge Jesus. É público que esta não seria a minha escolha, pois considero que havia opções melhores e mais jovens. Ainda assim, desejo o maior sucesso a Portugal e espero que o novo responsável saiba premiar quem trabalha para o merecer, deixando de lado estatutos que, por si só, tantas vezes parecem bastar para garantir convocatórias. Jorge Jesus já prometeu que a Seleção vai jogar o dobro, e os portugueses agradecem se essa promessa se confirmar. Cá estarei para analisar a forma como o novo treinador da Nação Valente irá gerir alguns egos e os casos mais sensíveis. Espero, porém, que nunca abdique do poder de decisão que lhe pertence.
A outro nível, o SC Braga da nova temporada começa a ganhar forma, dispondo agora de um plantel que oferece soluções alternativas a Carlos Vicens. O jogo pelas alas, a verticalidade, tantas vezes necessária, e a presença na área adversária ganharam novos argumentos com as contratações efetuadas até ao momento. A zona central da defesa, tantas vezes remendada na época passada, recebeu novos elementos que permitem soluções imediatas para os jogos a sério que estão prestes a começar e, simultaneamente, oferecem alguma tranquilidade enquanto se aguardam os regressos de lesões de longa duração, como é o caso de Sikou Niakaté.
Os “mundialistas” do plantel estão de regresso à Pedreira e todos querem apanhar o primeiro comboio das opções de Carlos Vicens. Ricardo Horta também representa um reforço de peso, uma vez que pôde cumprir o período de férias, em vez de integrar os trabalhos da Seleção, como aconteceu com alguns jogadores por decisão de Roberto Martínez, então selecionador nacional. Naturalmente, a sua exclusão, apesar de previsível para quem acompanhava a situação de fora, terá custado ao capitão e maior símbolo da história bracarense, porque a sua presença na equipa das Quinas era bastante mais justificável. Ainda assim, talvez agora tenha percebido que a ausência em terras americanas poderá não ter sido tão negativa quanto parecia.
A estreia europeia do SC Braga acontecerá já neste mês de julho, com dois jogos frente ao Železničar Pančevo, da Sérvia, que irão determinar a continuidade ou a eliminação das competições da UEFA, na Conference League. Os bracarenses são favoritos nesta eliminatória e, em teoria, apresentam-se como um dos conjuntos mais fortes em prova. Todavia, importa não esquecer que o favoritismo, por si só, nada garante dentro das quatro linhas. A Legião do Minho guarda ainda várias recordações amargas de favoritismos que ficaram apenas no papel.
Este é o último artigo de opinião antes da minha habitual pausa de verão. É tempo de agradecer a todos os que acompanham os meus textos, concordando mais ou menos com aquilo que escrevo. Regressarei em setembro, certamente com muito para analisar. Até breve.