Quem deambula pelas principais ruas, largos e praças da nossa cidade facilmente se apercebe que, em termos demográficos, mormente no que diz respeito às suas caraterísticas numéricas, regista um muito significativo avanço; e a fenomenologia condiciona tais caraterísticas, tem acompanhado com elevado pendor tal evolução.
Assim, facilmente se constata um crescente aumento de imigração que se vai instalando através dos recursos à habitação, ao emprego e a aquisição de habitação própria ou arrendada; e a este alheios não são a simpatia, generosidade e acolhimento da maioria dos bracarenses que, ao longo dos tempos, sempre primaram por bem acolher e melhor conviver com quem escolhe a sua cidade para trabalhar, para viver ou para turistar.
Depois, até no linguajar que diariamente se expande pelos espaços mais procurados por quem nos visita em busca do que mais emblemático e histórico a cidade possui para os vislumbrar e aconchegar, reside uma evidente marca de modernidade e mundividência; e, então, caso é para que o orgulho dos bracarenses suba e a sua autoestima se inebrie.
E este é um fenómeno que tem pernas para andar e vontade para se enraizar em quem escolhe Braga bimilenar, augusta, dos Arcebispos e barroca para trabalhar e viver; como igualmente encher a vista de belas paisagens, o estômago de abundante e saborosa culinária e usufruir dos meios nobres de bem-servir e de um património singular a quem por ela passa em ação turística e recreativa e, mormente, em busca de novas pesquisas, emoções e vivências.
Pois bem, agora é tempo de mostrarmos que sempre soubemos acolher de braços abertos, sorriso franco e natural bonomia quem nos procura por bem e de coração longo; e, assim, abriremos as portas de uma cidade moderna, quer na forma nobre de receber, quer na ação certa e justa de servir.
Sem dúvida que Braga vai deixando, lentamente, os seus hábitos e testemunhos antigos de cidade provinciana, maneirinha e caseira que, noutros tempos longevos, se deitava com as galinhas e se levantava com o cocorocó, afinado e vibrante, dos galos madrugadores; e esta marca de ancestral vivência vai-se desvanecendo, suplantada pela vaga constante de imigração em busca de trabalho e melhores formas de vida.
E é notória a quem deambula por largos, ruas e praças do centro urbano a frequente abertura de novos espaço comerciais e de lazer mormente lojas, restaurantes e cafés, geridos por novos empreendedores vindos, sobretudo, do Brasil, país irmão; e esta dinâmica cria uma nova forma de ser, estar e conviver nas pessoas que frequentam assiduamente estas novas paisagens humanas e naturais.
Mas onde se reflete mesmo esta nova realidade é na linguagem usada e nos modos de ser culturais, culinários e de indumentária dessas pessoas; e esta evidência põe na vida diária da cidade uma nota de modernidade e de mundividência.
E, então, aonde mais se desenha esta vertente é nos cafés, esplanadas, pastelarias e restaurantes que os bracarenses por essas zonas transitam ou flanam onde descobrem e sentem o pulsar de uma nova realidade cultural e vivencial; e numa cidade como a nossa, esta dinâmica vai-se lentamente enraizando nos modos diários de estar e conviver, a ponto de dar uma crescente marca multicultural à nossa urbe, repito, augusta, bimilenar, dos Arcebispos e barroca.
Ainda, há dias, num café do casco urbano, onde tomava assento para a habitual tertúlia de amigos, perante a amálgama de clientela tão heterogénea no falar, no vestir e na ementa culinária usada, me senti confuso; e mormente, até temi que a minha forma de ser e estar bracarense venha a sofrer rápido e rígida alteração; e, pior ainda, que caminhe para a extinção se nada ou pouco for feito pela necessária e urgente aculturação entre naturais e imigrantes.
Então, até de hoje a oito.