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Mudar a agulha, é preciso!

 


 

 


 

Falemos de coisas sérias e sem cargas ideológicas contaminantes. O sistema plural assim o exige. Já é tempo disso. Falemos muito a sério que os tempos estão complicados. Os “senhores da guerra”, enraivecidos e tresloucados, fazem a deriva do mundo para uma zona enegrecida com consequências difíceis de se preverem. É necessário falar mesmo a sério acerca do meu país que tem coisas muito sérias para resolver. Ou pelo menos atenuar. Há pedregulhos demais na engrenagem governativa. Há crispação demais para uma democracia ocidental. Há treta demais para continuar a iludir as pessoas com fantasias e com promessas inexequíveis. Assim, neste estado febril, de política exacerbada, será muito difícil contrariar os sinais de crise severa que se aproximam, exponenciados pelos diabólicos conflitos bélicos.


 

1 - Até agora, nas governações, ou anda-se atrás do prejuízo ou gere-se os parcos recursos existentes (?) com todas as facilidades do mundo. E neste dualismo de movimentações, o país não arranca na direcção certa, com qualidade e em definitivo. Perderam-se ao longo de décadas inúmeras oportunidades de desenvolvimento por subjugação a uma ideologia fantasiosa, distópica e retrógrada que já provou que não é solução para coisa nenhuma. 

Apesar dos tempos estarem mais aclarados, com outra consciência cívica, pelo menos aparentemente, ainda há, por aí, muito “pensador” social e político cheio de ideias e de nervo a expor “princípios e valores” orientados unicamente para uma certa franja social: a franja dos vulneráveis que representa o falhanço e uma afronta aos desígnios de uma democracia a sério. E batem nesta tecla há cinquenta anos sem se notarem os tais resultados tendentes a elevar socialmente a sociedade nacional no seu todo, particularmente os 40% que vivem ou sobrevivem fora dos padrões de um país do primeiro mundo. 

A estratégia do “recua dois e avança um” esgotou-se. A continuar, o país trilhará o caminho da tradicional estagnação e, daí, não sairá da cepa torta. 


 

2 - Governar em minoria pode parecer muito democrático, pois obriga e exige negociações permanentes entre as forças opositoras. No fundamento, para o bem-estar das pessoas, pouco ou nada diz. A verdade é que pouco se avança com as minorias. As bolorentas negociações da Concertação Social (CS) para aprovar a Lei Laboral, foram um exemplo categórico de negociações arrastadas em que o sector imobilista não quer, de forma alguma, que se mexa na legislação estagnada que está em exercício. As famosas reuniões UGT/CS/Governo foram, simplesmente, uma perda de tempo que tiveram o condão de azedar ainda mais o ambiente laboral com repercussões políticas e económicas inevitáveis. 


 

3 - A esquerda nacional ainda não percebeu que atascou no tempo e no espaço. Ainda não percebeu que o mundo mudou e muda a cada momento. Por isso, é preciso acompanhar os movimentos sociais para não se perder a linha do horizonte do desenvolvimento. Então, a governar o país, a esquerda já deu o que tinha para dar. Nestes últimos oito anos e meio de esquerda à esquerda deu-se outra grande facada no arejamento da Economia e enfraqueceu-se a Saúde. A Educação entupiu e adiou-se as reformas da Justiça. A Imigração escancarou e carregou-se a festa social com balões de fantasia geringoncista. 


 

4 - Para terminar: O ex-líder neo-socialista, António Costa, hoje um “refugiado privilegiado” em Bruxelas, fechou as portas da governação em definitivo ao PS. Este partido não terá tão cedo qualquer hipótese de ascender ao poder, mesmo que ganhe as eleições. Os partidos da “direita” não o permitirão. Isso é certo! Será caso para se dizer: quem semeia habilidades, colhe adversidades!


 


 

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

31 maio 2026