Alta política e futebol). É muito debatida a questão de se uma selecção nacional pode ultrapassar uma percentagem-limite de “estrangeiros” ou seus descendentes. Se não fosse tido este aspecto em consideração, uma selecção de certo Estado (de certo país) passa a não se distinguir de um qualquer clube de sucesso. No início deste erradíssimo movimento globalizante, até aos clubes individuais era imposto este limite; o qual acabou, com a já quase esquecida “lei Bosman”. Para quem viva o futebol “com alguma cabeça”, tinha muito mais interesse cada clube abastecer-se principalmente de praticantes da sua região; e a selecção “nacional”, por o ser, incluir exclusivamente (ou quase), apenas desportistas da Nação que fundou e ainda sustenta esse Estado. Curiosamente foi o Regime de Direita, radical (o Estado Novo português) quem nos anos 60 criou uma aparente excepção ao sistema, ao incluir Eusébio, Coluna, Vicente, Hilário, Matateu… Porém, à época, estes africanos eram nossos nacionais, pois Portugal (hoje tão submetido à “ditadura de Bruxelas”) era um florescente Império, na mesma África.
A importância crescente dos futebolistas africanos e magrebinos). Independentemente dos objectivos políticos que estão por trás (uma forte contribuição para a dissolução e desaparecimento gradual das nações europeias, dum ponto de vista genético e político), o certo é que, com toda esta ajuda, gradualmente se constata o valor objectivo dos futebolistas da África Negra e do Magrebe. Recordo que, ainda no Mundial de 74, a Iugoslávia cilindrava naturalmente o Zaire (Congo) por 9-0. E que no mundial de 82 foi um humilhante escândalo nacional que, logo na fase inicial, a Alemanha (à época ainda com uma grande selecção…) foi derrotada (2-1) pela desprezada Argélia (de Madjer). Alemanha esta, que chegou à final, onde, jogando melhor, foi derrotada na 2.ª parte pela “revigorada” Itália, de Paolo Rossi (3-1). Aliás, já no Mundial de 78, a RFA não passara de um empate (0-0) com a ainda hoje pouco forte Tunísia.
A “estratégia do cuco”). É conhecido que, frequentemente, a bem sonora e belíssima ave (migratória…) que é o cuco (“cuculus canorus”) costuma pôr um ou mais ovos no ninho de outros pássaros, normalmente mais pequenos. E estas inocentes aves “indígenas europeias” julgam que o nutrido bebé que eclodiu de um desses ovos é seu filho; e dão-lhe um tratamento melhor que à sua própria “criação”; da qual o pequeno cuquinho “se encarrega”, empurrando-as para fora do ninho e, digamos, “apropriando-se das instalações”. Fenómeno parecido já vem ocorrendo no futebol europeu nas últimas décadas; a protecção que os clubes (e agora, as próprias selecções) vão dando a todos os estrangeiros com valor, resulta na decadência dos candidatos a praticantes de origem nacional, os quais vêem os seus lugares já ocupados. É claro que o “mercado” ganha, com isso, “rios de dinheiro” (transferências, patrocínios). Mas as Nações e o próprio espírito do Desporto, saem muito prejudicados.
Alemanha com “chocalho amarrado na canela”). Confesso que folguei imenso com as derrotas e eliminação desta “pseudo-Alemanha”, às mãos dos sempre modestos Equador (1-2) e Paraguai (3-4). Recordemos que a RFA foi campeã mundial em 1954, apenas 9 anos depois de sair totalmente arrasada da 2.ª Guerra Mundial (em que perdeu, até hoje, 1/3 do território para a Polónia, RDA e URSS). E voltou a ser campeã em 74 e em 90; usando exclusivamente “a prata (e o ouro…) da casa”. Remetendo para os dados da revista “Record”, da apresentação deste Mundial, 9 dos 26 seleccionados alemães eram de origem não-europeia (e jogaram com frequência). Números ainda mais expressivos aconteceram com a França (21 em 26!); a Inglaterra (15 em 26); a Bélgica (12 em 26); a Holanda (14 em 26); a Suíça (15 em 26); ou a Suécia (5 em 26). Estas por certo “inocentes” modificações, agradarão talvez a esse compositor e intérprete de génio que foi Chico Buarque de Hollanda (n. 1944 e membro de famílias patrícias lá do Rio), autor de êxitos como “A banda” (1966); “Mulheres de Atenas” (1976); “Cálice” (1978); e da “Mulata de Angola com chocalho amarrado na canela”. À época, ele aspirava a que o Brasil (da Ditadura) se tornasse “um imenso Portugal”, o do 25 de Abril. Hoje, procura é evitar-se que a Europa e os EUA se tornem é um imenso Brasil (ou bem pior…).
E afinal, não “não havia necessidade”…). Vejam-se os casos de imenso sucesso das valorosas “pratas da casa” da Noruega, Cabo Verde e Croácia, países bem pequenos. Ou do Japão, Colômbia, Marrocos e México; ou sobretudo da Espanha e da Argentina, os vencedores das híbridas, lastimáveis e equívocas “França” e “Inglaterra”, respectivamente.