Continuo a dissertar sobre o Poder Local. Sobre este Poder único, de proximidade e de cumplicidades. Onde todos se conhecem. Onde todos vivem e convivem juntos desde a Escola Primária. E da catequese. E das Associações comunitárias. O Poder que está na primeira linha no entendimento inter-pessoal e na resolução dos primeiros problemas. Por isso, um Poder Local e uma boa Oposição são fundamentais para o bem-estar de uma cidade e das suas freguesias. A dinâmica do “Hoje Poder e Amanhã Oposição” deveria ser uma realidade activa. Para a Alternância ser completamente abraçada e democrática é preciso pertencer, ter sentido de comunidade e assumir completa responsabilidade no trabalho autárquico que se exerce.
1 - No meu ponto de vista, a estratégia encetada pela oposição à edilidade bracarense não tem sido a mais correcta. Também não será a que melhor conduzirá a bom destino. E à afirmação de Braga como grande pólo de desenvolvimento social e económico. À consolidação da urbe como uma referência “Turística e Cultural”.
Parece-me existir, num primeiro reconhecimento, uma oposição leve e pouco arejada. Até crispada. Opositora demais para as necessidades. Sem criatividade e a reboque dos acontecimentos. Assim e numa perspectiva a médio prazo, a oposição não está a criar as condições políticas e sociais para aspirar ao poder nos próximas actos eleitorais. Tem escolhido um caminho carregado de escolhos. Obstrutivo. Com dificuldades para o levar de vencida. E neste andamento, o caminho vai tornar-se cada vez mais estreito e tortuoso. Ou seja, sem hipóteses de um dia, mais ou menos próximo, chegar ao poder. Dá a ideia que a oposição quer ser oposição para mais doze anos como aconteceu nos três mandatos anteriores.
2 - Até ao momento, tem-se verificado que a lista “Amar e Servir Braga” - ASB - é a oposição mais inconformada, também a mais esclarecida e mais interessada em dar “luta” a João Rodrigues. Também a mais impaciente. Por outro lado, a oposição neo-socialista, muita fraquinha e apagada, anda à procura dos “ossos do BRT”, quando todos sabemos que esta proposta de mobilidade ainda não é defunto. Só espera uma outra oportunidade. Como os neo-socialistas não têm mais nada para apresentar, agarram-se a “coisinhas” de significado residual para dizer que existem. Eles sabem que há memórias para os pôr de lado.
3 - Talvez o “grande” problema para ASB é querer dizer que está pronta. E faz finca pé. Com as bandeiras caídas, reduziu a sua estratégia à mobilidade na cidade. De facto, a mobilidade é mesmo um sério problema. Em certas horas, está altamente congestionada. Sofredora. Poluída com tanta “chapa” e com tanto fumo. Contudo, é preciso sair da caixa do asfalto e do sentido da Rua D. Pedro V e avançar com medidas capazes de ajudar a contornar o problema. E essas medidas não aparecem de geração espontânea. É preciso trabalhá-las. Ir ao terreno. Verificar as condições. Ensaiar alternativas. Reflectir. Como é sabido, está em cima da mesa do executivo um bom plano com três dessas medidas acertadas e exigentes: fecho da Variante do Cávado, construção da Circular Externa de Braga e desatar o Nó de Infias. Serão suficientes? Talvez não. Há carros demais a circular. Há uma mentalidade de usar o carro para tudo e para nada. Há ainda o grande negócio do estacionamento para manter. A receita é volumosa e não dá muito trabalho.
4 - Outra linha de debate e de reflexão: as bicicletas. É fácil de perceber que esta ideia é manifestamente “encantadora”, mas de residual impacte citadino. A cidade está situada num planalto. Daí, haver acidentes geográficos. A cidade não é bem plana. E quem vem das freguesias, por exemplo, do Vale do Cávado é uma grande estafa. Além disso, a cidade não está preparada para se andar de bicicleta. Seria saudável, em todos os aspectos, usar-se a bicicleta. Mas, é complicado. Fazer remendos nas vias para as bicicletas também não é solução. Pode até tornar-se perigoso para a segurança das pessoas.
Para rematar: é preciso que a Oposição perceba que é oposição e que a cidade precisa de todos.