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A “lenda” e a atualidade

 

 

 

Na primavera, o mês de maio é o mês das flores por excelência. Basta darmos uma volta por aí para vermos a força da natureza que faz brotar tão variada floricultura. Razão pela qual ele foi escolhido para nos trazer à memória a célebre “Lenda das Maias”. Aliás, perpetuada e mantida por algumas casas que continuam, ainda, a ostentar às suas portas tal arranjo floral. Uma tradição que nasceu, segundo reza o Evangelho, quando o feroz e cruel Herodes possuído de cólera por não encontrar o seu opositor, o Menino Jesus, mandou matar todos os recém-nascidos em Belém.

Mas não parou por aí, já que ao ser informado de que Sagrada Família ia a caminho do Egito e que pernoitaria numa certa aldeia, deu ordens aos seus soldados para que, nessa mesma noite, fossem aí chacinar todas as crianças. Não fosse o rebate de consciência de um deles lhe ter dito: – “majestade, escutai a voz deste vosso servo, não queirais manchar com mais sangue a vossa vida com nova matança. Olhai o sofrimento de tantas mães em Belém”. Tendo Herodes lhe perguntado: – “então, diz-me como fazer para encontrar esse meu rival?”.“Basta colocar um ramo de giestas floridas na casa onde essa Família for passar a noite e será satisfeito o vosso desejo”. 

Assim foi, na noite prevista, a soldadesca lá se dirigiu à aldeia, só que quando lá chegou ficou estupefacta e sem saber o que fazer. Pois todas as casas tinham, milagrosamente, um ramo de flores de giesta nas respetivas portas. E assim, o Divino Salvador do mundo escapou às garras do seu algoz. Uma “obstinação” não muito diferente da realidade que se vive nos dias que correm, em que vão surgindo novos Herodes para levarem a cabo as suas ofensivas de raiva, ganância e ódio mandam perseguir – indiscriminadamente – seres humanos indefesos.

Como autênticos carniceiros, impiedosos e com tamanha sede de vingança, nem mesmo escolas, infantários e lugares frequentados por meninos e meninas, por mais ramos de giestas floridas que coloquem à porta, escapam. E o maior paradoxo disto tudo, é que são os mesmos que tanto criam sistemas para salvar a humanidade, como para destruí-la. Que mesmo depois de tanto estudarem a História Universal e de elevarem o seu nível cultural, repetem idênticas atrocidades e os mais hediondos crimes.

Basta estarmos minimamente atentos às notícias sobre as guerras que grassam por aí fora, em que se mata o povo como quem esquarteja suínos para sobrevivência, não importando se são menores ou adultos. Estes atuais governantes, implacáveis sanguinários como Herodes, que se dizem os mais qualificados de sempre –, apesar de se queixarem da falta de natalidade, não olham a pesos na consciência desde que a carnificina lhes sirva para satisfazer a sua vaidade e os seus despóticos apetites.

E o mais incrível é que a coberto da democracia, que dizem praticar nos seus países, se transformam em autênticos abutres em voo picado sobre os despojos das pobres vítimas. E é que nem os organismos a que pertencem e acordaram respeitar – como o das Nações Unidas, do Tribunal Penal Internacional ou a Carta dos Direitos Humanos – os conseguem demover. O que só vem demonstrar que esta camada de déspotas belicistas não passa de uma plêiade de neoabsolutistas. 

Com efeito, à laia desses atrozes e malfeitores herodianos, há ainda, os criminosos do terrorismo, pedofilia, ódio, racismo, violência doméstica, droga, corrupção, perseguição e morte aos cristãos, etc. O mundo atual está infestado de mentes perversas. Doença mental que afeta não só gente do poder, como da plebe. Daí a dificuldade dos psiquiatras e psicólogos em a debelar. Uma vez que ela se deve, sobretudo, em se afastarem dos caminhos de Deus.

Enfim, direi que estes seguidores de Herodes da atualidade se chegam a confundir com o original, apenas com uma diferença. É que ele selecionava quem queria eliminar para chegar a Jesus Cristo. Já os atuais não poupam nada nem ninguém: ferem, arrasam e matam. Vai tudo a eito. 



 

 

 

 

Narciso Mendes

Narciso Mendes

18 maio 2026