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“Eu sou social-democrata de esquerda”!

 


 

 


 

Na política lusa, cada um diz o que quer. Só que, depois, sujeita-se a ouvir o que não quer. Contudo, foram ditas palavras eloquentes! Claríssimas! Um chorrilho de afirmações soberbas, altamente superficiais, até irrefutáveis do ex-líder do PS, Pedro Nuno Santos (PNS), no regresso à vida política e à sua condição de deputado da nação, depois de seis meses a “vender” máquinas de fazer sapatos. Como não chegasse esta “orgulhosa” identificação ideológica pessoal, o ex- líder, desaparecido em combate eleitoral, por duas derrotas consecutivas, não poupou os camaradas “taticistas” que se escondem nas sombras para não confrontarem em eleições internas a tendência moderada (direitista) do partido. Recado enviado também, com rótulo timbrado e bem definido, a alguns dos seus antigos “compagnons de route” da triste e demagógica geringonça que deixou o país em estado deplorável.


 

1 - O político dos “tremeliques” entrou em cena cheio de nervo. Quis definir a sua acção e dinamitar o território neo-socialista por onde pensa deambular. Vai para a última fila do Parlamento e de bico calado, onde será um bonito bibelot para se apreciar com todo o esplendor. 

De um lado, o eu, o social-democrata de esquerda, o genial, o predestinado, o fazedor e do outro lado, os sem-coragem, os tíbios, os centristas! Neste campo, diz PNS, não há, nem pode haver misturas ideológicas, tal e qual a água e o azeite. Contudo, o regresso extemporâneo deste personagem caricato foi marcado por futilidades acerbadas. Revelou um azedume bem dorido e uma crispação profunda pelo governo de Luís Montenegro. As duas derrotas que teve nas legislativas destruíram a sua garbosa auto-estima. Uma delas, a segunda, foi uma derrota estrondosa com repercussões directas para a sua arrogância e um desastre eleitoral para os neo-socialistas. O partido foi atirado, sem remissão, para o terceiro lugar. Ou seja, passou de 42%, maioria absoluta, para 22% e com o caminho muito estreito e tortuoso para a recuperação do eleitorado perdido.


 

2 - “Eu vim para dar combate a um governo medíocre e incompetente”. Palavras descabidas numa intervenção à imprensa sem direito a perguntas. Pensa PNS que alguém dá qualquer importância às suas atoardas. O seu passado desastroso e o seu perfil truculento respondem cabalmente pela credibilidade que possui. PNS é uma carta fora do baralho da mesa do jogo no Rato. Este esquerdista ainda não conseguiu engolir os desaires, nem consegue disfarçar as mágoas de um “líder” falhado e derrotado. Nota-se pelo disparar baboseiras contra tudo e contra todos. Nem o recente secretario-geral, eleito por maioria coreana, José Luís Carneiro, foi poupado. 


 

3 - PNS e toda a tralha geringoncista deveriam ser responsabilizados pelo péssimo desempenho governativo que tiveram em oito anos e meio. Em todos os actos praticados, seja de que nível for, tem de haver consequências. Quem faz asneira, deve assumir e responsabilizar-se. Se a política nacional se pautasse por este princípio básico de transparência e de responsabilização, o país estaria bem melhor e as pessoas tinham outra imagem e outro sentir pelos políticos. Quem destruiu 3,2 mil milhões de euros na TAP, mais 50 milhões de indemnização ao brasileiro-americano Neeleman, mais ainda cerca de 600 milhões de euros de impostos não pagos, não tem moral em falar em competência. Tem é de pedir perdão pelos danos causados ao país. 


 

4 - Numa abordagem mais ampla, não consigo perceber esta frustração dos neo-socialistas de dizerem que são social-democratas. Porque não dizem abertamente que são socialistas? Porquê? Socialismo será um produto tóxico? Será que têm vergonha de serem socialistas?! Um neo-socialista dizer que é social-democrata de esquerda, o que, é que, isso significa? Não se percebe! Será por uma questão de oportunidade para aceder aos patamares da moderação?! 

O bom que isto tem é que o país tem sacudido os políticos irresponsáveis. E este é um deles.


 

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

10 maio 2026