Comemora-se, no dia 12 de maio, o Dia Internacional do Enfermeiro. A data, celebrada desde 1965, assinala o nascimento de Florence Nightingale (1820), fundadora da enfermagem moderna. Num contexto de saúde profundamente diferente do seu tempo, este dia constitui uma oportunidade para reconhecer o trabalho e a dedicação dos enfermeiros em todo o mundo, muitas vezes invisíveis no quotidiano dos cuidados prestados à população. É também um momento para afirmar o seu papel central nos sistemas de saúde, valorizar a sua formação e especialização e chamar a atenção para a necessidade de investir no desenvolvimento e na sustentabilidade da profissão, de forma a garantir cuidados de qualidade às populações.
Nesta data, enquanto muitos celebram a enfermagem nas suas múltiplas áreas de intervenção, gostaria de partilhar o olhar e a vivência de quem acompanha de perto pessoas em sofrimento mental, dando a conhecer, de forma mais próxima, o papel do enfermeiro especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica (EESMP).
O EESMP é um profissional altamente qualificado que presta cuidados especializados a indivíduos e grupos com perturbações mentais, ao longo de todo o ciclo de vida. A sua intervenção não se limita à vigilância ou ao controlo da medicação; utiliza estratégias psicoterapêuticas, psicoeducacionais e psicossociais personalizadas para promover a saúde e a autonomia, assentando em pilares como a empatia, a escuta ativa e a construção de vínculos de confiança.
Esta abordagem humanizada manifesta-se de forma distinta em cada etapa do ciclo saúde-doença. Na prevenção, através da identificação precoce de sinais de sofrimento, ajudando a pessoa a reconhecer e cuidar das suas emoções antes de surgir um diagnóstico formal. Na fase de tratamento, para além da gestão terapêutica e comportamental, o EESMP valida sentimentos e utiliza a relação interpessoal como instrumento de cuidado, indo muito além do cumprimento estrito de protocolos. Finalmente, na reabilitação e reintegração psicossocial o este profissional torna-se um parceiro na reconstrução da autonomia e das rotinas, reforçando competências para que a pessoa retome o seu lugar na sociedade.
Mas nem sempre é fácil ser EESMP. Desde logo, pelo estigma que ainda persiste sempre que se fala em saúde mental, uma realidade que se torna ainda mais preocupante quando não se limita à sociedade em geral, mas está também presente entre profissionais de saúde. A isto juntam-se a exigência emocional da prática diária — que, por vezes, torna ténue a fronteira entre o cuidar do outro e a vida pessoal, com impacto na própria saúde mental — e a limitação de recursos, uma vez que nem sempre é fácil demonstrar indicadores de sucesso, o que pode comprometer o reconhecimento e investimento nesta área.
Para fazer face a estes desafios, é indispensável uma formação sólida, aliada a uma empatia contínua e a um compromisso profissional consistente, que permitam responder com qualidade às exigências da prática. Mais do que nunca, os enfermeiros em geral, e os EESMP em particular, esperam o reconhecimento e a valorização da sua profissão, condições essenciais para a excelência no cuidar.
Neste Dia Internacional do Enfermeiro, celebremos cada gesto de cuidado que transforma vidas e lembremos que cuidar da saúde mental é cuidar da nossa essência, do respeito, da esperança e da dignidade de cada pessoa que cruzamos no nosso caminho.