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Outros erros de Português

Continuando a elencar erros, que se lêem ou ouvem nos “media”). A última vez que abordei este assunto aqui no DM, foi em 10 de Setembro de 2024. O trabalho chamou-se “Erros de Português (e outros)”. O que não impede que tenha esporadicamente falado sobre o tema, ocasionalmente em outros artigos, sobretudo anteriores a essa data. Remeto pois, desde já, para o arquivo eletrónico do jornal; e para a consulta dessa pequena lista de “desconformidades”, às quais, dum modo geral, não irei aludir desta vez.

Mas, apesar desta última promessa…). Apesar dela, deixem-me relembrar que, antes das novas versões (ignorantes, “obedientes”, ou politizadas), muitos nomes de cidades, rios e países já tinham a sua forma bem cristalizada na língua portuguesa. Assim, deve dizer-se Kieve, Lvove, Karkove, Dniepre, Dniestre, Zaporoje, Luganske, Dniepro-Petrovske, Ivano-Frankovske, Bielo-Rússia, Breslau, Dantzigue, Posen, Stétine, Boémia (ouTchéquia, vá lá…), Pomerânia, Silésia, Pilsen, Brandeburgo, Suábia, Lusácia, Sarre, bosníaco (ou bosniano), estoniano, letão, Moldávia (ou Bessarábia), Quirguizistão (ou Quirquízia), Ceilão, Birmânia, Cambodja, Lérida, Gerona, Orense, San Sebastian (ou Donostiá), Vitoria (ou Gasteiz), La Guardia, etc., etc.. Fica ao critério dos saudosistas e dos “retornados” (e seus descendentes), continuar a dizer Lourenço Marques (e não, Maputo), Nova Lisboa (e não, Huambo), Salazar (e não, Ndalatando), Bela Vista (e não, Catchiungo), Sá da Bandeira (e não, Lubango), Vila João Belo (e não, Xai-xai), V. Cabral (e não, LIchinga), Moçâmedes (e não, Namibe), S. Antº do Zaire (e não, Soyo), Vª Henrique de Carvalho (e não, Saurimo), Porto Amélia (e não, Pemba), Salisbúria (e não, Harare), Pretória (e não, Tchwane), etc.

A meteorologia, o “tour” e os "pássaros”). Por provir da palavra “meteoro”, a Meteorologia não deve ser pronunciada pelos locutores como “meteriologia” ou “meterologia” ou algo do género. Por outro lado, sempre dissemos (e bem), o “tour” de França; a palavra é realmente, masculina. Daí, como será possível, nos “media”, muitos hoje dizerem “uma tour” (no feminino)?... Outra manifestação de ignorância é referirem-se às Aves, em geral, como “os pássaros”. Assim, uma águia, uma cegonha, uma garça, um falcão, um mocho, um pato, uma gaivota seriam (erradamente) exemplos de “pássaros”. Não são: são “aves”, mas não são “pássaros”. Em Zoologia, os animais dividem-se (embora hoje a classificação seja ainda mais diversificada…) em Filos; depois, em Classes, estas em Ordens, estas em Famílias, estas em Géneros e estas em Espécies (abaixo das quais, há as subespécies e as variedades ou raças). “Aves” é mais geral (é uma classe) que “pássaros” (que são uma variadíssima ordem, a dos “passeriformes”). A ignorância, contudo, até atinge quem tem o dever de não errar (os especialistas) e de não ser teimoso. Exemplo disto: o “circus pygargus”, uma das 4 espécies europeias do elegantíssimo género dos “tartaranhões” continua a ter o nome traduzido por “águia caçadeira” (mas não é águia nenhuma…), nas sucessivas edições do notável “Guia das aves” da Assírio e Alvim (de MULLARNEY, SVENSSON, ZETTERSTRÖM e GRANT)…

Sudeste, “os milhares”, quando muito, possamos, sob(re) e alastrar). O Médio Oriente é o Sudoeste asiático (o Sudeste é onde ficam a Tailândia e o Viet-Nam, p. ex.). Só é correto dizer-se “os” milhares (porque “milhar” é sempre masculino), mesmo que se trate de um milhar de mulheres, de crianças, de aves… Mesmo que estas últimas palavras sejam femininas. Em “quando muito”, a palavra “quando” não está a contabilizar nada (é apenas o equivalente de “se”); daí que é errado dizer “quanto muito”. “Possamos” é acentuado no “a”; não se diz “póssamos”. E “sob” quer dizer “debaixo”; diz-se “sob o ponto de vista”; e não “sobre”. E diz-se, “ o Mal, a Droga, o Erro, alastra”; não leva “se”, não é um verbo reflexo. E diz-se “parecido com”; equivale a “semelhante a”. Por outro lado, quanto mais neologismos e estrangeirismos gostamos de usar, assim demonstramos o pouco conhecimento que temos do potencial da nossa própria língua.

Extrair Maduro” e “apropriar-se dos activos" da Rússia). Estes patusquíssimos neologismos, vertidos com entusiasmo, do “ameriquês” para as línguas menos consumidoras de “inteligência artificial” (como a nossa), devem traduzir-se por,”raptar, sequestrar e prender” Maduro; e “ roubar o imenso dinheiro” que os capitalistas e a Fed. Russa depositaram confiadamente noutros países. Já os muitos carteiristas “roma” (e outros) que enxameiam Lisboa, esses sim, é que “extraíam” carteiras e se “apropriavam dos activos “ (pecuniários) que elas contêm. Tudo sem violência; aí, não é roubo, é furto.

Eduardo Tomás Alves

Eduardo Tomás Alves

5 maio 2026