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Um café e uma boa ideia por dia!...

A IA continua a dar os seus frutos. Vai mudando, de forma acelerada, a nossa forma de trabalhar e de viver. Vamo-nos habituando a ter um GPT disponível para validar temas, acelerar trabalho, complementar ideias e limar arestas quando necessário. Tornou-se quase uma extensão natural do nosso raciocínio, presente em múltiplos momentos do dia.

Mas também aumentam os riscos e os problemas que temos vindo a debater.

Assistimos, com frequência, a confirmações sem validação de resultados, ao distanciamento da realidade e a erros, por vezes crassos, inadmissíveis, quase escancarados, que denunciam autores apoiados em IA sem validação ou sem o indispensável “human in the loop”. Por favor – Não! A facilidade de utilização não pode justificar a perda de rigor.

O simples facto de “saber” permite, logo à partida, criar estruturas, orientações, programações e prompts muito mais eficazes e com resultados significativamente superiores. Quem domina os temas consegue extrair muito mais valor da IA.

Em contrapartida, o uso abrangente e genérico em determinados temas permite maior abertura e criatividade nas respostas, mas também aumenta a probabilidade de alucinação ou erro. A IA tanto amplifica a qualidade como amplifica o erro, dependendo sempre de como o fazemos.

Por isso, tal como temos vindo a discutir, o uso da IA suportado pelo nosso conhecimento potencia-nos de forma substancial. Já o relaxamento processual de entregar a produção do nosso trabalho à IA sem a nossa colaboração direta, dificilmente produzirá os mesmos resultados. Mais cedo ou mais tarde, a falta de validação torna-se evidente.

O tema é particularmente relevante em fases de aprendizagem, onde estamos a construir a base do processo de aquisição de conhecimento e que, por isso, merece toda a atenção. É aqui que se formam bons ou maus hábitos.

Usar IA na aprendizagem pode significar, por exemplo, dispor de um tutor capaz de esclarecer, explicar, ajudar a compreender, ilustrar conceitos e descrevê-los de forma alternativa, tirando partido do perfil neurolinguístico do interlocutor. Pode também direcionar para fontes e conteúdos originais relevantes, bem como ilustrar espacialmente objetos e artefactos difíceis de visualizar, por exemplo, na química, na nanotecnologia ou na medicina. Pode ainda ajudar a estruturar pensamento, organizar ideias e explorar diferentes perspetivas sobre o mesmo tema. Mas seria demasiado suicida abdicar da nossa própria curiosidade e aprendizagem, que são, em última análise, aquilo que nos define.

Estes são apenas alguns exemplos do apoio que a IA pode oferecer na aprendizagem. No entanto, todos devemos ter consciência de que aquilo que obtemos com IA pode carecer de atualização recente, de contexto local e cultural, e certamente da nossa experiência, do nosso ponto de vista e dos nossos valores, características que afinam e dão identidade à forma como apresentamos trabalho, construímos soluções e colaboramos. É essa camada humana que faz a diferença.

Por outro lado, continua a aceleração vertiginosa proporcionada pela IA. Onde antes fazíamos um estudo, hoje construímos uma plataforma que permite realizar esses estudos repetidamente e em segundos, poupando horas de trabalho de baixo valor acrescentado. Esta mudança não é apenas incremental é mais uma vez estrutural.

A aceleração é, de facto, meteórica. E, para tirar o máximo partido desta fase, sem deixar o comboio descarrilar, é essencial manter os padrões de qualidade das entregas, verificar a adequação e a veracidade do que propomos ou escrevemos, e preservar a audácia de ambicionar novos patamares.

Hoje, como referi, conseguimos criar plataformas em minutos que substituem dias de trabalho. Isso permite-nos sonhar mais alto e dá palco às nossas ideias. Nunca tivemos tantas ferramentas ao nosso alcance, nem tanta responsabilidade no seu uso.

No fim do dia, e mais uma vez, é a nossa criatividade, audácia e ambição que regulam aquilo que produzimos e criamos com IA. Paradoxalmente, se abdicarmos dessa curiosidade, desse impulso de querer saber e criar algo novo, estaremos a abdicar de uma das mais relevantes características que distinguem os humanos das máquinas e dos algoritmos.

Por isso, o que lhe apetece criar hoje?

Guilherme Teixeira

Guilherme Teixeira

29 abril 2026