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O coração bate mais forte

 

 

O coração bate sempre mais forte quando as televisões nos mostram os estragos das chuvas que caíram sobre Portugal. Bate porque temos pena de quem teve de ser evacuado, quem teve a perda total ou parcial dos seus haveres, bate mais forte quando os negócios comerciais ou outros perderam as suas máquinas e bate sempre mais forte quando, perante o caos, as pessoas se unem para ajudar: cada peça de roupa doada, cada cabaz de mercearias é apresentado, sempre que o voluntariado aparece como uma obrigação e não como um ditame da solidariedade. As águas galgaram margens, pontes, aquedutos ou diques de proteção. Cada segundo cada sobressalto, cada chuvada nova inundação. Mas o coração também bate de consolo quando vê a cada catástrofe, o povo português ter dó de quem sofre e vem em catadupas de assomo, tentar ajudar, ou pelo menos minorar, o sofrimento dos lesados. Sabe bem à alma encontrarmo-nos perante uma sociedade que ainda respira os valores mais nobres da alma e cidadania. E porque faz bem? Porque ganhamos a certeza que aquilo que andava lá pelas ravinas do desânimo, renasceu ou melhor afirmou-se nos seus mais intrínsecos valores e não numa sociedade que, em vez de coração, tem no peito uma máquina registadora de egoísmos. O governo como se porta em tais circunstâncias? Não podemos afirmar que poderia ser mais rápido, mas podemos dizer que não esteve alheio a esta calamidade. O orçamento do estado, isto é às contas públicas vão sofrer um forte desequilíbrio mas, como diz o povo, vão-se os anéis e salvem-se os dedos, ou como disse o Presidente da República, Jorge Sampaio, “há mais vida para além do orçamento”. Aqui é verdade como será mentira quando gastarmos tudo e depois não termos meios para acudir a tais ocorrências? Dá que não peças, diz o aforismo popular. E eu direi os sofrimentos das pessoas estão primeiro.



 

Paulo Fafe

Paulo Fafe

23 fevereiro 2026