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A mobilidade na cidade de Braga

Penso que é um facto que, após o período da pandemia de Covid-19, o trânsito nas cidades tornou-se muito mais complicado, não apenas devido ao aumento de veículos automóveis, mas também porque as pessoas alteraram alguns hábitos, como seja viajar em transportes públicos, passando a usar mais o transporte individual, vulgo automóvel. Atualmente, cerca de 63% das deslocações urbanas efetuam-se utilizando o automóvel, contra apenas 20% de transporte público (autocarro e comboio, designadamente), 16% a pé e 1% de bicicleta. Sabendo que existem metas para descarbonizar o país, o aumento do trânsito automóvel não tem ajudado muito esta necessidade, porque apesar da recente onda de veículos elétricos, a esmagadora maioria dos carros funcionam ainda com combustíveis fósseis, incluindo os híbridos.

Quem se desloca na nossa região, por exemplo em Braga, sente este problema, o qual se tem agravado, quando se circula de automóvel, com outros problemas, como seja o mau estado de conservação das ruas e estradas e ainda o estacionamento.

Há uma necessidade imperiosa de resolver esta questão rapidamente por que começa a assumir alguma gravidade e, embora se verifique também noutras localidades, temos que encontrar soluções para a sua resolução. Há questões estruturais locais, que, enquanto não forem solucionadas, não haverá melhorias no descongestionamento do trânsito, como seja a construção de variantes que permitam canalizar o trânsito de passagem diretamente para as autoestradas, sem passar pelo centro da cidade, ou a execução da propalada obra do Nó de Infias. Mas estas obras que se prendem com a criação de infraestruturas, só por si já não são suficientes. É necessário atacar o problema noutras frentes, de onde se destaca a necessidade urgente de melhorar o estado geral das vias de circulação, mas também dos passeios. O planeamento, construção ou remodelação de arruamentos devem contemplar sempre uma via de circulação que favoreça, para além do trânsito pedonal, a utilização da bicicleta e de outras formas de micromobilidade. As pessoas estão cada vez mais disponíveis para investir nestas formas de micromobilidade, ou mobilidade suave, mas é necessário que esta circulação se efetue em condições de segurança, com zonas para estacionamento e carregamento elétrico de bicicletas ou trotinetas (que também trazem outros problemas). De facto, nas atuais condições e com o comportamento (pouco) cívico de muitos condutores de automóvel, conduzir uma bicicleta na cidade é uma aventura.

Mas há ainda dois aspetos mais a referir nesta abordagem. Um prende-se com a rede de transportes públicos. Braga, por exemplo, é servida por comboio e por autocarros para quem pretende vir de fora para a cidade. Já no interior da cidade, temos uma rede de autocarros gerida por uma empresa municipal de transporte: os TUB. O transporte ferroviário e rodoviário que vem e sai de Braga, principalmente em ligação às cercanias (sabendo que muitas pessoas que estudam e trabalham em Braga vivem nos municípios vizinhos) é insuficiente em termos de frequências, horários e comodidade. A TUB, apesar do esforço que tem sido feito nos últimos anos de modernização da frota de autocarros, também não consegue resolver o problema da circulação dentro da cidade e em ligação com as freguesias do concelho. Em 2026 deverão entrar em funcionamento os primeiros veículos de metrobus ou BRT (Bus Rapide Transport) que irão ligar alguns pontos nevrálgicos da cidade (Estação de caminhos de ferro, Universidade e Hospital) em corredores dedicados, encurtando tempo, distâncias e procurando melhorar também o meio ambiente. Contudo, há que melhorar também o estacionamento automóvel. Muitos dos que se deslocam de carro, fazem-no por necessidade e pela ausência de alternativas viáveis e criar obstáculos ao trânsito automóvel na cidade, sem criar opções de paragem e sobretudo estacionamento, apenas vai densificar o problema. Pelo menos um terço dos carros que se encontram neste momento em circulação na cidade é em busca de estacionamento e os lugares e parques de estacionamento escasseiam.

Braga tem-se afirmado como um território atrativo, vibrante e dinâmico nos últimos anos, atraindo muitos novos moradores, incluindo jovens. Para manter este estatuto carece de se afirmar com uma mobilidade sustentável, uma verdadeira smart city, conectada em todas as dimensões, incluindo na mobilidade.

Fernando Viana

Fernando Viana

24 janeiro 2026