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Voto sim abstenção não

Muitas são as congeminações que nos confrangem a caminho das eleições de Domingo, já com uma forte movimentação nas redes sociais e, mormente, pelas ruas; e, então, por exemplo, que escolha fazer sobre os candidatos e seus programas, quando certos slogans que nos são impingidos se transformam em propósitos tão apelativos e generosos, bem capazes de nos fazerem duvidar da seriedade e idoneidade de alguns desses candidatos.

Todavia, mais necessário e notório será negar a abstenção que tem arrastado grande maioria de votantes a virarem costas às urnas; como, igualmente, pôr à frente de tudo as provas de honestidade, lealdade e humanismo dadas pelos candidatos, ao longo da sua vida familiar, social e política, porque participar nunca foi tão necessário como nos dias de hoje, quando a prática política cada vez mais nos afeta no que pensamos, no que desejamos, no que sonhamos.

Assim temos que acreditar, lutar, fazer ouvir a nossa voz e, sobretudo, para exigirmos um país mais livre, mais justo, mais solidário e mais verdadeiro; estes são objetivos e princípios do regime democrático em que vivemos que o futuro presidente terá de abraçar e cumprir.

E, então, este é o tempo em que paira no ar o eflúvio constante a eleições que se traduz em falinhas mansas. juras de amor e promessas loucas de tudo dar e fazer; e, com mais ações abertas ou fechadas, beijos despachados e selfies constantes lá se mostra ao povo quem é generoso e bom, quem dá sem pedir nada em troca a não ser um simples voto que pode garantir um futuro de bem-estar em cada quotidiano de fartura, saúde e segurança.

Pois bem, quando os candidatos agem, apenas, pelo interesse fugaz de mais um voto nas urnas, caso é para temer que se nunca existissem eleições tudo ou quase tudo estaria por fazer; portanto se pior do que uma paulada é outra paulada, venham daí eleições, se esta for a solução melhor para que as reformas subam nas carteiras, a miséria, o desemprego e a fome baixam ate desaparecerem e, assim, o dia-a-dia seja um oásis de fartura, paz e amor.

Agora, a meu ver, a nossa Democracia tem vindo a perder qualidade, fiabilidade, legitimidade e verdade; e isto por culpa de grande parte dos políticos que temos e da corrupção, demagogia, oportunismo, falsas promessas e muita promoção pessoal que por aí tem reinado com a sua cumplicidade e culpabilidade.

E se recuarmos ao longo dos cinquenta anos de vida democrática que já usufruímos, depressa concluímos que a idoneidade e competência de muitos agentes políticos foi decaindo e, consequentemente, a defesa e imposição dos princípios e objetivos do 25 de Abril; e, deste modo, podemos ver com desagrado que os candidatos à presidência da República aumentam em número e diminuem em qualidade e legitimidade.

Todavia, se queremos defender a Democracia não é através da abstenção às urnas, mas através do voto pensado, firme e responsável; e mesmo que nenhum dos candidatos que estão na corrida a Belém nos agrade, nem convença não deixemos de votar, mesmo que seja em branco, porque o voto em branco tem uma leitura e uma legitimidade que incomoda e sobressalta qualquer dos candidatos que se apresenta à escolha popular.

Assim sendo a palavra de ordem será: voto sim, abstenção não; porque já há por

aí muito quem espreite uma oportunidade para assaltar o poder, se lhe for dada a oportunidade com o nosso virar de costas às umas e, depois, o que nos espera é uma enorme incógnita em termos de direitos humanos fundamentais.

Façamos, então, de Domingo um dia de presença, consentida e atenta, nas urnas para escolhemos o futuro presidente da República; e na certeza de que o nosso voto vai contribuir para que o Democracia que nos tem acompanhado se mantenha cada vez mais firme, mais operativa e legitimada e o novo presidente que escolhermos seja, sobretudo, o travão necessário à injustiça social, à corrupção, à desigualdade, ao oportunismo e à prepotência dos mais poderosos contra os mais fracos.

Então, até de hoje a oito.

Dinis Salgado

Dinis Salgado

14 janeiro 2026