Mais um mito que surge agarrado à figura do Imperador Romano Constantino I; mais um mito que pretende apresentar que a Igreja Católica, tal como hoje a conhecemos, é uma criação desse governante. Muitos mais mitos desta índole se seguirão, pois não tem havido um grande esforço de os desmontar para bem dos fiéis católicos – os quais, assim, se tornam “presa fácil” de manipuladores que sabem muito bem como confundir as pessoas, para, depois, as tornarem escravas das suas mentiras. E isto, muito nos devia entristecer.
Mas sim: é totalmente falso que só tenham começado a ser erigidos edifícios pensados para serem igrejas a princípios da segunda década do séc. IV.
É exato dizer-se que, durante muito tempo, e conforme já foi referido acerca de um mito relacionado com a segunda centúria do Cristianismo, as comunidades cristãs se reuniam em pequenas “casas-igrejas”. Isto é: casas com um mínimo de espaço suficientemente amplo para albergar, com o máximo de dignidade possível, a celebração, pelo menos, da Eucaristia com a participação de 10 a 20 pessoas.
Posto isto, a verdade é que no séc. III a realidade muda, ainda que edificações mais visíveis e especificamente orientados para serem igrejas representassem um risco face às inconstantes atitudes das autoridades romanas (desde as Imperiais até às Provinciais) perante o Cristianismo, os cristãos e a própria Igreja.
Pois bem: graças à arqueologia, sabemos que na localidade de Aíla (atualmente localizada na única região da Jordânia com costa) uma igreja foi construída no começo da última década do séc. III. Tratava-se de um edifício suficientemente grande para albergar cerca de 70 pessoas e, tendo sido feito segundo os modelos arquitetónicos das antigas basílicas romanas, foi dos primeiros a serem denominados, na literatura cristã posterior, de “Basílica” (embora não com o significado que este termo comporta contemporaneamente).
Seria possível apresentar outros exemplos de vestígios arquitetónicos de igrejas edificadas de raiz antes do mencionado Imperador, mas isso obrigar-nos-ia a entrar no começo do séc. IV. De qualquer modo, há registos escritos, patentes em obras escritas antes do fim da primeira metade desse Século, que apontam para múltiplas construções erigidas, com o dito fito, durante a sétima e a oitava décadas do séc. III.
Permitam-me citar, como evidência do que referi, uma pequena passagem da obra “História Eclesiástica” de Eusébio de Cesareia (8, 1, 3-5): «nessa ocasião, já não satisfeitos com os espaços antigos, [os cristãos] ergueram, a partir das suas fundações e em todas as cidades, igrejas de planta espaçosa».
Mas se é verdade o dito por este autor, qual a razão de só haver aqueles vestígios da Basílica de Aíla? O motivo é simples: poucos anos depois (sensivelmente a partir de 303) a maior parte desses edifícios foi destruída aquando das últimas perseguições dirigidas contra os cristãos por parte do Império Romano. Será apenas quando tais perseguições findarem, que um novo ciclo de construções será realizado, nessa ocasião com condições para que estas durassem mais.