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Doze anos é muito tempo!…

Como em tempos já dizia o artista, que é um ícone da canção portuguesa, Paulo de Carvalho, “dez anos é muito tempo”. E o povo dizia ainda muito antes que “tudo o que é demais é erro”. Em democracia também se passou a considerar, e bem, que deve haver um limite de mandatos para os detentores dos cargos de Presidente de Câmara e de Presidente de Junta de Freguesia (Lei n.º 46/2005, de 29 de Agosto). Três mandatos sucessivos são bastantes para levar à prática um projecto e todas aquelas medidas que cativaram a atenção do eleitorado e decidiram o primeiro mandato de um partido, de uma coligação, de uma lista ou de um movimento.

Quando um projecto autárquico é validado sucessivamente por vários mandatos, isso significa que os eleitores o consideram, de entre os restantes, o melhor que serve os fregueses e os munícipes. Do mesmo modo, quando se quebra a gestão de um Presidente que liderou um projecto é sinal de que o projecto ganhador é, aos olhos dos eleitores, melhor e mais seguro do que o anterior, o que vigorou até ao acto eleitoral.

Estou em crer que, muitas vezes, um grande número de eleitores, quiçá, menos exigentes, permissivos e pouco atentos à gestão autárquica, renovam a confiança numa equipa por simples simpatia ou clubismo, prejudicando assim outras soluções que não acolheram por mero desinteresse, considerando que a equipa que governou no mandato em julgamento no acto eleitoral é a sua equipa e, como tal, prescindindo de reparos negativos; normalmente, tal equipa não apresentou erros ou lacunas nas suas decisões aos olhos destes eleitores teimosamente convencidos e desejosos que vençam os mesmos, simplesmente porque sim.

Ainda que o slogan da revolução «o povo é quem mais ordena» se mantenha actual, a lei colocou alguma disciplina e equilíbrio na liberdade de quem se pode candidatar aos cargos em apreço, limitando os prejuízos que candidaturas ilimitadas poderiam acarretar para a democracia. O que acontece quando se ultrapassam limites é imprevisível e pode ser perigoso. Se havendo regra as coisas acontecem, o que seria se não a houvesse! A moderação é o antídoto para tudo aquilo que possa ser demais.

Em Braga, à governação socialista durante um longo período, sucedeu a actual governação social democrata prestes a completar os três mandatos. É já em 12 de Outubro que os bracarenses vão ser chamados a eleger um novo Presente da Câmara. As candidaturas são várias com protagonistas bem preparados para o desafio. Desejável seria que pudesse haver alternância, um princípio que contribui para a moderação democrática. Até pode alegar-se que a coligação Juntos por Braga apresenta um novo candidato e que a lei é respeitada. É verdade que é respeitada, mas ninguém se iluda: a política seria a mesma, os partidos da coligação tenderiam a perpetuar-se um pouco mais no poder. Doze anos é muito tempo!... Ainda para mais, o candidato da coligação foi vereador nos últimos oito anos, concretamente, desde 2017, participou e concordou certamente com o grosso das decisões do Executivo camarário.

Os ciclos são necessários e bem vindos. A alternância é saudável e deve ser procurada pelos cidadãos, o que vale a nível nacional, mas também a nível concelhio. No próximo acto eleitoral para a escolha de 308 Presidentes de Câmara, os cidadãos eleitores terão oportunidade de praticar mais uma vez esse direito de poder escolher os seus representantes e aproveitar para evitar as consequências da falta de renovação dos dirigentes para a sua comunidade.

Em Braga, há bons candidatos alternativos àquele que se propõe continuar os doze anos de poder social democrata que podem assegurar o desenvolvimento harmonioso do concelho. É altura dos bracarenses decidirem pela alternância, assim a queiram. Braga precisa de uma nova dinâmica, de um novo rumo, de quem olhe os problemas a sério e que desate os nós há tanto tempo criados. Doze anos foi mais do que suficiente!…

Luís Martins

Luís Martins

16 setembro 2025