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Poder Local: que realidade? (2)

 


 

 


 

Os candidatos estão no expositor eleitoral. Por todo o concelho, em locais estratégicos, para a gente ver bem visto, há caras trabalhadas e cartazes com mensagens lacónicas e assertivas para cativar o voto. Nunca houve tantos candidatos disponíveis para tomar a cadeira do município. Há oferta para todos os gostos e feitios. Candidatos pela via partidária e candidatos pela via independente (?). O eleitor, neste tocante, não tem razão de queixa. Só tem que estar atento às promessas que debitam e ao perfil humano, ético e cultural que mostram para melhor “tirar o retrato”. Claro que o passado de cada um conta para se fazer um juízo de valor mais entroncado.


 

1 - Quem será o terceiro “mayor” da cidade? Há os da primeira divisão, os tais que têm mais possibilidades de chegar ao topo e há os outros que concorrem para encher a agenda. Na festa eleitoral também é preciso variedade, mesmo que fiquem com resultados residuais. 

Para apanhar o voto, cada candidato vai aparecendo pelas freguesias, bem acompanhado pelos seus peões mais chegados, levando cordialidade, sorrisos e um plano de “Promessas” que se encaixa bem nas necessidades sentidas pelas populações locais. E não olham a meios, nem para a bolsa do dinheiro no cativo dos fregueses. Promessas muito inovadoras, muito pomposas, demasiado coloridas são atiradas aos molhos para encher o olho do eleitor. A estratégia a seguir pelos candidatos é do “quem dá mais”, o que vai intoxicar o realismo necessário para uma gestão responsável, moderada e eficiente.


 

2 - A cidade precisa de autarcas livres, sensatos, conscientes e corajosos. Sim, autarcas livres das influências tóxicas que contaminam as áreas negociais. Sim, autarcas sensatos para tomarem as decisões certas nos momentos mais complexos. Sim, autarcas conscientes da função que vão exercer para seguirem seguros no caminho da ética, da seriedade, da responsabilidade. Sim, autarcas com coragem e discernimento para assumirem os dossiês complicados e assumirem também os erros cometidos. Depois de cumprido o mandato, os autarcas deveriam-se-iam sentir orgulhosos pelo trabalho desenvolvido e por ter servido com rectidão o concelho a as suas gentes. Por isso e como auto-avaliação, deveriam questionar-se: trabalhei em prol da cidade, das freguesias e, claro, dos bracarenses? Consegui vencer o amiguismo, o nepotismo e a corrupção? Formei uma equipa coesa e séria? Se foi, parabéns! 


 

3 - Outro grande pecado da irresponsabilidade no legado autárquico são os famosos “esqueletos nos armários”. São as contas aldrabadas, os casos pendentes e escondidos, as dívidas “ocultas” e declaradas, os programas pré-estabelecidos e negociados com os “amigalhaços”. Porque razão as autarquia estão todas endividadas?! Porquê?! Este ”modus operandi” não dignifica a democracia e muito menos é aceitável neste tempo em que temos a geração mais qualificada de sempre, possuidora de bons atributos críticos e que já não engole patranhas ideológicas com facilidade, nem desonestidades grosseiras.


 

4 - Quem ganhar o poder na Câmara Municipal deveria exigir, por respeito ao eleitor e por necessidade da valorização da transparência, uma auditoria rigorosa à gestão camarária anterior, às empresas municipais e a todos os seus serviços. O mesmo deveria acontecer nas Juntas de freguesia. Seria a forma mais correcta de conhecer os dossiês e para não haver dúvidas do ponto de partida. Também cortaria qualquer escapatória menos digna, quando se entregasse o poder. 

A cultura do rigor e da transparência tem que ser a trave-mestra da gestão de qualquer eleito. Assim, a corrupção, o compadrio, as negociatas não entravam pelas portas das Câmaras, mesmo que estas estivessem escancaradas. 

Para finalizar – a melhor defesa dos interesses dos cidadãos é votar num candidato capaz, idóneo e com visão. De uma coisa pode o eleitor está crente e certo: não há almoços grátis!

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

31 agosto 2025