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Vozes e rostos humanos

1. Celebra-se no próximo dia 17 o LX Dia Mundial das Comunicações Sociais.

A mensagem do Papa tem por tema «Preservar vozes e rostos humanos».

É um apelo a que, face aos avanços da tecnologia, não coloquemos o produto da máquina acima da pessoa humana, preservando vozes e rostos humanos. Não identifiquemos o ser humano com um robot.

Convida a uma reflexão sobre a inteligência artificial (IA). Alerta para o respeito devido à voz e ao rosto de cada pessoa e para a necessidade de educar para o uso dos Meios de Comunicação Social: são instrumentos muito importantes e muito úteis desde que bem usados.

Esta mensagem, de que apresento, de seguida, uma amostra, deve ser objeto de um cuidadoso estudo,


 

2. Escreve o Papa:

«O rosto e a voz são traços únicos e distintivos de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro.

Os antigos sabiam-no bem. Para definir o ser humano, os gregos usavam a palavra “rosto” (prósopon), que etimologicamente indica o que está diante do olhar, o lugar da presença e da relação. Por sua vez, o termo latino persona (de per-sonare) inclui o som: não um som qualquer, mas a voz inconfundível de alguém».


 

3. «Rosto e voz são sagrados, escreve o Papa. Foram-nos dados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu.

Uma Palavra que, ao longo dos séculos, ressoou na voz dos profetas e depois, na plenitude dos tempos, fez-se carne. Esta Palavra – esta comunicação que Deus faz de si mesmo – pudemos ainda escutá-la e vê-la diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no Rosto de Jesus, Filho de Deus».


 

4. «Desde o momento da criação, lê-se também na mensagem, Deus quis o ser humano como seu interlocutor e, como disse São Gregório de Nissa, [imprimiu no seu rosto um reflexo do amor divino, para que pudesse viver plenamente a sua humanidade através do amor.

Preservar os rostos e as vozes humanas significa, portanto, preservar este selo, este reflexo indelével do amor de Deus.

Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros».


 

5. «A tecnologia digital, no caso de falharmos nesta preservação, corre o risco de alterar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes temos como garantidos, diz Leão XIV.

Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não só interferem nos ecossistemas informativos, como também invadem o nível mais profundo da comunicação, ou seja, o das relações entre as pessoas».


 

6. A certa altura da mensagem o Papa adverte:

«O objetivo da educação é este: aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por trás da seleção das informações que nos chegam, compreender os mecanismos psicológicos que elas ativam, permitir às nossas famílias, comunidades e associações a elaboração de critérios práticos para uma cultura de comunicação mais saudável e responsável».


 

7. «Precisamente por isso, continua, cada vez mais, é urgente introduzir também, em todos os níveis dos sistemas educativos, a literacia para os meios de comunicação social, a informação e a IA, que algumas instituições civis já estão a promover.

Como católicos, podemos e devemos dar o nosso contributo, para que as pessoas – especialmente os jovens – adquiram a capacidade de pensamento crítico e cresçam na liberdade do espírito».

Queridos Amigos: isto de saber ler tem muito que se lhe diga. Se fosse só identificar as letras e juntá-las…

Silva Araújo

Silva Araújo

7 maio 2026