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A última estação

O caminho europeu do SC Braga tem conhecido uma longevidade sem precedentes. O início ocorreu ainda em julho, na pré-eliminatória frente ao Levski Sofia, cujo desfecho se decidiu num prolongamento na Pedreira, após dois nulos no tempo regulamentar. Foi um momento de inspiração de Fran Navarro que evitou o desempate por grandes penalidades, cuja imprevisibilidade é enorme. Ninguém imaginaria, naquela altura, que a equipa de Carlos Vicens iniciava ali uma caminhada ininterrupta até às meias-finais, capaz de orgulhar tudo e todos no universo braguista.

Depois de alcançar a fase de grupos, na qual terminou com apuramento direto para os oitavos de final, e de vencer duas eliminatórias consecutivas, frente ao Ferencváros e ao Bétis de Sevilha — com uma goleada aos húngaros que inverteu o resultado negativo da primeira mão e uma jornada épica no La Cartuja, onde uma noite memorável permitiu silenciar os sevilhanos, numa remontada que mereceu o respeito da Europa do futebol —, seguiam-se, na ementa, os alemães do Friburgo. A estação de Sevilha, como intitulei o artigo dessa altura, foi apenas mais uma paragem obrigatória num percurso de sucesso que se deseja ver prolongado até Istambul.

A acumulação de jogos do SC Braga nas diferentes competições provocou um desgaste natural, tanto a nível físico como mental. Contudo, as lesões acabaram por ser a pior notícia, subtraindo elementos ao plantel à disposição de Carlos Vicens e retirando soluções que o técnico gostaria de ter para uma gestão mais eficaz das competições e dos jogos acumulados. A Liga portuguesa surge, nesta fase europeia tão exigente, quase como um estorvo à criação das melhores condições competitivas para a equipa se apresentar no seu máximo. Ainda assim, é necessário ter a consciência de que os problemas são reais e que os jogos do campeonato têm de ser disputados, mesmo sem opções que permitam a rotatividade tão desejada numa fase de maior cansaço e simultaneamente tão exigente. 

A última estação antes de Istambul é Friburgo. A vontade de ir até ao fim e disputar a final é evidente em todo o grupo. Para tal, será fundamental disputar esta eliminatória até ao limite temporal, pois as dificuldades previstas para a segunda mão indiciam que tudo se decidirá nos pormenores. Cada detalhe contará, e o espírito de família que reina no grupo pode revelar-se um trunfo decisivo. O SC Braga precisa dos seus adeptos e procurou criar condições para uma forte mobilização rumo à Alemanha, fretando aviões e assegurando toda a logística, porque juntos podemos fazer coisas melhores e maiores. O apoio dos adeptos tem sido extraordinário e acredito que, uma vez mais, isso se repetirá. No relvado, é essencial que os jogadores disponíveis joguem por eles próprios, pelos colegas forçados a uma ausência indesejada, pelos adeptos e pela História que querem continuar a escrever. 

No desfecho da eliminatória, faço votos para que o velho pensamento de que “no futebol são onze contra onze e no fim ganham os alemães” seja contrariado pela performance bracarense em terras germânicas, superando novamente a arrogância do lado oposto.

Por fim, espero que esta seja mais uma jornada europeia de sucesso, com maiores ou menores dificuldades, ajudando a escrever mais uma página dourada na centenária História do SC Braga.


 

António Costa

António Costa

7 maio 2026