O SC Braga manteve a sua boa carreira em 2025, depois de ter visitado Alvalade, onde tinha sido goleado nas últimas três visitas. Curiosamente, estive presente nesses encontros, em que os cinco golos sem resposta em dose tripla deram origem a um acumulado de quinze a zero, o que deixa marcas em qualquer pessoa ou em qualquer coletivo. Contudo, a imunidade parece fazer parte da formação braguista que passou ao lado desse passado recente e encarou este duelo partindo do princípio que nada afetaria o atual estado de espírito brácaro.
O jogo de Alvalade teve uma entrada forte dos leões, que se adiantaram no marcador, mas nunca foram capazes de marcar o segundo golo, umas vezes por demérito próprio e, na maioria das vezes, pelo reconhecido mérito de Lukas Horniceck, cuja frieza na baliza o transformava num “monstro” capaz de assustar os seus adversários. O guardião checo, que fez formação na Cidade Desportiva, cresce a cada jogo que faz, pelo que se lhe augura um futuro risonho. Depois de uma vintena de minutos de superioridade evidente dos leões a partida foi sendo equilibrada pelos Gverreiros do Minho, que foram subindo as suas linhas defensivas a ponto de colocar em alerta a defensiva leonina e nem o intervalo foi capaz de travar essa melhoria arsenalista, após o descanso.
O encontro seguia entretido e a diferença mínima no resultado mantinha tudo em aberto, pelo que Carlos Carvalhal foi mexendo em busca de alguma felicidade, que haveria de chegar. O técnico foi retirando, dentro do possível, os mais expostos a uma expulsão em função da leveza que a mão do árbitro Luís Godinho demonstrava, que ia castigando com cartões amarelos a zona central dos brácaros. Em simultâneo o treinador braguista foi introduzindo sangue novo no relvado, com as entradas dos meninos Gharbi, Rúben Furtado e Afonso Patrão, cuja vontade de mostrar a elevada qualidade da juventude bracarense era por demais evidente.
Após algumas ameaças de ambos os lados, o golo do empate chegaria mesmo pelo cabeça do jovem avançado braguista, que se mostrou um Patrão amigo da equipa e dos adeptos ao cabecear com sucesso uma bola cruzada pelo reintegrado, com sucesso, Rodrigo Zalazar. Antes do final Luís Godinho ainda conseguiu expulsar o “menino” João Moutinho que respondeu aos assobios de Alvalade com a sua elevada classe em campo, num segundo cartão amarelo repleto de exagero, uma vez que foi numa jogada banal junto da linha lateral. O árbitro estava ansioso por ser protagonista e lá conseguiu alguma infeliz visibilidade, ainda que esta tenha sido das suas arbitragens menos negativas quando apita o SC Braga.
O ponto conquistado permitiu ao conjunto braguista alcançar o terceiro lugar isolado, uma vez que o FC Porto perdera, na véspera, com goleada caseira frente ao SL Benfica. Agora é preciso seguir em frente e encarar cada desafio como se não houvesse amanhã, porque ainda existem muitos pontos para disputar e conquistar, ainda que as dificuldades sejam crescentes para todos à medida que se aproxima o final.
Uma nota final para a minha estreia nos comentários, enquanto adepto do SC Braga, na rádio Observador. As coisas correram de feição, em especial graças à boa cabeça do Patrão que eu tinha no relvado. Este menino deve andar nas nuvens, mas é bom que nunca perca a humildade de quem quer crescer e chegar longe.