O assassínio do cientista universitário luso Nuno Loureiro, físico e prestigiado professor no MIT, ocorreu a 15/12/25 em Brookline, Massachusetts, EUA. Com 47 anos, foi morto a tiro na sua própria casa. Deixa mulher e 3 filhas. Uma das quais assistiu ao homicídio. A acção terá sido executada por Cláudio Manuel Neves Valente, antigo colega de curso da vítima no Instituto Superior Técnico, Lisboa. Segundo informações vindas a público, este homicídio fez parte dum surto de violência iniciado 2 dias antes. Pois, a 13/12, o suposto agressor já tinha realizado um tiroteio na Universidade de Brown, que, também infelizmente, resultou na morte de 2 estudantes, aparentemente desconhecidos. Ou seja, enquanto na situação de Loureiro se tratava de “2 velhos conhecidos”, uma vez que tinham sido colegas na Universidade em Lisboa na licenciatura e também lá leccionaram, já no caso dos 2 primeiros homicídios junto de estudantes da Universidade de Brown, estaríamos perante desconhecidos. Aquilo que se sabe é que Valente teria sido aluno de doutoramento, nessa mesma instituição dos EUA. Não tendo querido, todavia, finalizar os respectivos estudos. Em rigor, desconhece-se no momento o porquê dessa interrupção. Sendo certo, ainda assim, que tanto Loureiro, como Valente tinham sido alunos brilhantes no liceu e na licenciatura. Cláudio Valente, como aluno do liceu, chegou mesmo a representar Portugal nas “Olimpíadas da Física” ocorridas na Austrália. Era tido por todos como aluno extremamente inteligente, mas muito competitivo e susceptível de entrar em quezílias com os seus colegas. Tinha mesmo fama de “de jovem genial e sobredotado”. Após os tiroteios acima descritos, desencadeou-se uma “caça ao homem” nos EUA. Passados alguns dias, a 18/12/25, o corpo de Neves Valente acaba por ser localizado num armazém arrendado e sito em New Hampshire. Depois de feitos os devidos exames, as autoridades acabaram por concluir que se tratava dum suicídio por parte do suspeito em questão. A pergunta que fica é “qual o motivo destes actos”? Se no caso das 2 vítimas desconhecidas que estudavam na Universidade de Brown, a explicação é mais difícil de encontrar; já no caso do colega Loureiro, algumas pistas apontam que o crime teria sido motivado por, passamos a citar, “uma espécie de rancor pessoal que durava há mais de 20 anos. É que, enquanto Nuno Loureiro se tinha tornado numa referência mundial em fusão nuclear no Massachusetts Institute of Technology, o agressor Cláudio Neves Valente foi acumulando frustrações, e conflitos com colegas, sobre o seu próprio percurso pessoal, profissional e académico”. Ou terá sofrido injustiças? Numa das gravações de vídeos deixados pelo assassino, diz: “custou-me ter que o matar, assim como vai me custar suicidar”; “mas não peço desculpas, pois nunca ninguém me pediu desculpas”. Recorde-se que provas digitais recuperadas pelas autoridades revelaram que Cláudio Valente, natural do Entroncamento, e aluno brilhante do liceu de Torres Novas, planeou os ataques meticulosamente durante três anos, tendo deixado diversos vídeos de confissão gravados em português. Já anos antes tinha deixado de dar notícias aos próprios pais. Valente não era casado, nem tinha filhos e vivia em Miami numa moradia média. Loureiro era natural de Viseu e também muito bom aluno. O caso chocou a comunidade científica internacional e a diáspora portuguesa nos EUA. De acordo com vários colegas e conhecidos, são muitas as pistas que apontam para “contas a ajustar”. Scott Watson, colega de doutoramento de Valente em Brown foi claro: “ele era o melhor de nós todos, um génio, estudava antes das aulas e sabia mais do que todos nós, discordando muito mas sem ser malcriado”. Também há trocas de mensagens em que Cláudio Valente critica fortemente “a mediocridade do doutoramento em Brown e como afinal tão ignorantes eram”. Como dirigentes e delegados sindicais há cerca de 16 anos, conhecedores de inúmeras e boçais injustiças nas Universidades, não temos dúvidas que deverá haver muitos mais casos similares latentes. I.e., tal é a inversão de valores e corrupção da meritocracia na Academia lusitana, mas também na lentidão dos Tribunais, que com o aumento de armas em Portugal, não temos dúvidas que (infelizmente) poderão acontecer mais casos parecidos de “(in)Justiça pelas próprias mãos”. Não por acaso o SNESup-Sindicato Nacional (Independente) do Ensino Superior criou recentemente o GTAMIES-Grupo de Trabalho sobre o Assédio Moral nas Instituições de Ensino Superior: https://www.snesup.pt/2025/09/23/gtamies-grupo-de-trabalho-sobre-o-assedio-moral-nas-instituicoes-de-ensino-superior-2/ . Pois, afinal, mais vale prevenir do que remediar.
Homicídio de Nuno Loureiro: Alerta na Academia?
Gonçalo S. de Mello Bandeira
30 janeiro 2026