1 – Cada vez mais se verifica que a inspiração e o talento na arte tendem a diminuir. Uma vez que as novas tecnologias e a inteligência artificial encarregam-se de produzir tudo aquilo que se deseja através de determinados dados introduzidos num computador. Pelo que vão surgindo sinais dessa atividade digital em muita da publicidade que hoje vemos por aí com imagens, por vezes, fabulosas. Daí, o aparecimento de grafismos nos logotipos das instituições públicas, oriundos desse procedimento, com propósitos de marketing e promoção turística do país.
Assim o fez o anterior Governo do PS, quando resolveu eclipsar do logotipo da República a esfera armilar e as respetivas 5 quinas da Bandeira Nacional para um trio de figuras geométricas. Tal como as que eu desenhava no tempo da minha Escola Primária, às quais aprendi a determinar os ângulos, o perímetro e as áreas. Ou seja, um retângulo verde, um círculo amarelo e um quadrado vermelho. Um modelo, a meu ver, demasiado simplista e longe de representar a riqueza histórica de Portugal, mas que o atual executivo da AD logo tratou de anular, repondo o anterior.
Cavalgando idêntica onda a Edilidade da nossa Cidade dos Arcebispos, na cerimónia de abertura da Braga Capital Portuguesa da Cultura 2025, resolveu apresentar a coqueluche do novo logotipo do Município bracarense. Tendo-lhe o Edil-mor tecido imensas loas, a fim de o justificar. Trata-se da palavra BRAGA, em letras maiúsculas, de suposta inspiração ‘software’, com um estilizado ‘B’ inicial e uma espécie de sino no ‘A’ do meio. Todo em vermelho, a confundir-se com as cores do clube, quando as da cidade é o azul e o branco. Daí o ter achado algo comercialista.
É que tal como dizia o outro dos chapéus, num velho filme luso, sinetas há muitas! Mas, Arco da Porta Nova só há um, o da bimilenária Bracara Augusta e mais nenhum. E ele estava bem patente na logomarca anterior ora com roupagem fidedigna, ora elaborada, a identificar uma urbe que encerra grande riqueza em ancestral monumentalidade.
2 – A Empresa Municipal “AGERE” anunciou, nas páginas do DM, pretender reduzir a gramagem do papel das faturas da água que envia, mensalmente, aos consumidores. Uma poupança que, a meu ver, também deveria ser tomada em conta por todos os organismos do Estado, inclusive Câmaras Municipais, uma vez que o desperdício acarreta despesa e os recursos não abundam. Nem é por mais espessura nos papéis que os cidadãos são mais bem informados e melhor esclarecidos.
Pois bem, eu cá acho positiva a tomada de tal medida, dado a empresa ter dito poder vir a economizar 70.000kg de papel por ano. Por isso, em termos de contributo pessoal, entendo que a decisão também deveria passar pela anulação do anexo que envia, mensalmente, aos clientes. Dado este não passar, quase sempre, de propaganda aos raros feitos do executivo camarário. Eliminação, essa, que poderia vir a diminuir o consumo de outros tantos quilos de papelada.
3 – A nova Lei dos solos rústicos que o atual Governo decidiu depositar nas mãos das Autarquias Locais, a fim de baixar os preços e tornar a sua gestão mais transparente no intuito de criar mais oferta habitacional não passa, digo eu, de uma falácia. Já que todos sabemos da corrupção que há largos anos vem grassando, sobretudo nesta aérea, à volta da especulação imobiliária. Basta vermos o corrupio de patos bravos nos corredores municipais à procura do Edil certo, a fim de serem favorecidos na aprovação de projetos de construção e orçamentos.
Daí, haver alguma apreensão nos bracarenses sobre o destino desses solos rurais. Sobretudo dos adjacentes ao Santuário do Bom Jesus, Património Mundial da Unesco, que ficam sob pressão e ameaça. E, por que não, nos dos apetecíveis arrabaldes do Sameiro e da Falperra? Ou não será verdade que esta cidade já assistiu ao uso e abuso da destruição de zonas verdes, edificado antigo, arvoredo, etc., para fins pouco claros? Sem dúvida!