Lidar com inovação e tecnologia implica estar pronto para pôr em causa o que damos por garantido e não apenas para aprender, mas também para desaprender.
É preciso abrir a mente e dar espaço a novas ideias constantemente. Apesar de ser um exercício exigente, é também recompensador, pois permite-nos viver as inovações na primeira pessoa. Nada mais atual, com os avanços exponenciais da IA.
Então, como conseguimos navegar estas ondas de inovação, cada vez mais curtas e recorrentes?
Aceitação e compromisso com a tecnologia
Primeiro, devemos avaliar se estamos perante uma tecnologia embrionária ou já madura.
Se já atingiu um nível adequado de robustez, aceitá-la e integrá-la faz sentido. Caso contrário, estaremos apenas a fazer experiências sem impacto real.
A IA já está presente no nosso dia a dia há anos, integrada em inúmeras ferramentas. O caminho não é rejeitá-la, mas sim usá-la de forma humana e responsável, maximizando benefícios e minimizando riscos.
O que devo manter, deixar de fazer ou fazer de forma diferente?
Esta é a grande questão. Como devemos posicionar-nos face à IA? Confiamos ou validamos? Usamos sem reservas ou com critério?
Para refletir, olhemos para o passado:
Faria sentido continuar a fazer contas manualmente, sabendo que uma calculadora é dez vezes mais rápida?
Faria sentido insistir na máquina de calcular, quando uma folha de cálculo trata cálculos complexos com maior precisão?
Faria sentido percorrer grandes distâncias a pé quando temos automóveis?
E não usar GPS numa metrópole, guiando-nos por um mapa de papel?
A resposta parece óbvia: use-se!
Mas há impactos. Perdemos rapidez no cálculo mental, sentido de orientação e até condição física.
Então, o que fazemos? Compensamos os efeitos secundários. Jogamos Sudoku para manter a agilidade mental, pedimos ajuda aos transeuntes e praticamos exercício físico.
Mas, acima de tudo, continuamos a controlar o contexto e o conhecimento de uma ou de outra forma, tirando partido das evoluções.
Se o impacto na nossa condição física por andar sempre de carro já é relevante, imagine-se o impacto de deixarmos de exercitar o nosso cérebro, e as consequências, por exemplo, para as doenças neurológicas!
O mesmo se aplica à IA: se não exercitarmos o nosso pensamento crítico, deixaremos que a tecnologia "pense" por nós.
IA e ChatGPT: Usar sem medo, mas com critério
O ChatGPT é um exemplo claro desta realidade. Processa informação em segundos, estrutura textos, analisa documentos e até debate connosco.
Faz sentido rejeitá-lo? Não.
Mas faz sentido validar os seus resultados. O ChatGPT é um modelo generalista – por mais avançado que seja, não conhece o nosso contexto específico, os nossos gostos, o nosso estilo, a nossa cultura ou sequer toda a informação relevante (há sempre dados que não estão digitalizados ou que simplesmente não foram incluídos no seu treino).
Além disso, por ser um modelo global, pode ter enviesamentos significativos, ignorando minorias, culturas ou perspetivas com menor representação digital.
Ao usarmos GPS, sabemos que, por mais um ou dois minutos, podemos escolher outra rota pelo conhecimento que temos da zona.
O mesmo se aplica à IA: devemos interpretar os resultados com pensamento crítico e manter o controlo sobre as decisões.
Portanto, a chave está em aproveitar a tecnologia para nos ajudar, mas sem abdicar da nossa autenticidade, capacidade de decisão e pensamento crítico.
Se conseguirmos fazer isso, não só não seremos ultrapassados pela IA, como estaremos mais preparados para evoluir com ela.
Pois verificar implica saber!