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Para que o mundo creia

Naquela Quinta-Feira era o dia 14 de Nisan, data em que os Judeus comemoravam a saída do Egipto. O mês de Nisan era, para os Judeus, o primeiro mês do ano. Escolhido, no dia dez, um cordeiro de um ano, sem defeito algum, este era guardado até ao dia 14, altura em que se efectuava a ceia pascal, com que se recordava a passagem da escravatura para a liberdade. Além do cordeiro comiam-se, nessa mesma noite, pão ázimo e ervas amargas.

N/D
8 Abr 2004

Recordava esta ceia a última efectuada pelos Israelitas sob a opressão do Faraó do Egipto. Naquela mesma noite havia passado por ali o Senhor – a páscoa quer dizer passagem – a libertar o seu povo.

O símbolo desta libertação era o cordeiro pascal. Com o sangue dele haviam aspergido, no dia da libertação, os umbrais e a verga da porta das casas sendo, deste modo, isentos da peste mortífera que dizimou os primogénitos dos Egípcios.

Cristo, na véspera da sua morte, juntou-se com os Apóstolos, a fim de celebrar, Ele também, a festa da Páscoa.

Nessa noite, e nessa última ceia, alguns factos ocorreram que a Liturgia de hoje nos recorda, e se sintetizam na instituição da sagrada Eucaristia e do sacramento da Ordem e no mandato sobre a caridade.

Cingindo-se com uma toalha, Cristo pegou num jarro e numa bacia e lavou os pés dos Apóstolos.

Antecipando misteriosamente o Sacrifício de Si mesmo, que iria oferecer, dentro de algumas horas, converteu o pão e o vinho no Seu Corpo e Sangue, apresentando-se como o verdadeiro Cordeiro Pascal, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. (Houve, nessa altura, a primeira Missa e a primeira Comunhão). Ordenou aos Apóstolos que repetissem, séculos fora, o memorial da Sua Paixão. Proferiu um discurso que podemos interpretar como o Seu testamento espiritual, no qual avultam as ideias da caridade e da unidade.

Hoje é um dia grande para todos os cristãos. A nova Aliança entre Deus e os homens ficou selada com o sangue de Cristo. Já não oferecemos ao Pai o sacrifício de cordeiros ou de outros animais, como na antiga Aliança. O memorial da nova Páscoa – a passagem do Senhor pelo mundo, a libertar-nos, mediante a Sua Paixão, Morte e Ressurreição, das nossas faltas – é a Santa Missa.

Permanece muito actual o último discurso de Jesus. Num mundo tão carecido de amor fraterno e de união, ou de união porque carente de amor fraterno, faz-nos bem recordar o mandamento novo.

«Que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (João 14, 34-35).

Mais do que nunca, é actual a oração sacerdotal de Jesus: «para que sejam todos um, como Tu, Pai, o és em mim, e eu em ti, para que também eles sejam um em nós, a fim de que o mundo creia que Tu me enviaste» (João 17, 21).

Não deixa, porém, de ser significativo ter Cristo principiado pelo gesto do lava-pés. O amor fraterno e a união não existem sem a humildade. E para que o mundo creia no Jesus que proclamamos é fundamental o nosso testemunho de serviço, de amor fraterno, de união. Mais do que de lindas palavras, exige-se de cada um de nós, os cristãos, um estilo evangélico de vida.




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