Programa complementar visa a formação de novos públicos
Em paralelo às diversas exposições, a XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira tem à disposição dos seus visitantes diversos ateliês destinados a crianças e adultos, conferências, performances artísticas e teatrais e espetáculos musicais que têm em vista a formação de novos públicos e a fidelização dos já existentes. «A formação de público é o nosso objetivo. Temos uma meta a atingir –queremos atingir os 100 mil visitantes nesta edição - e, independentemente disso, queremos criar novos públicos que não estão habituados a estas exposições e queremos que as pessoas venham até aqui. Por isso também trouxemos a Paula Rego, que é um nome importante da época contemporânea portuguesa», referiu o coordenador artístico Cabral Pinto. Segundo o responsável, este é um objetivo que tem sido cumprido, dada a «grande aceitação» por parte da população cerveirense mas também do «público que normalmente se interessa pela arte», oriundo de vários pontos do país e além-fronteiras. Foi também com este propósito de aproximar a Bienal dos habitantes de Vila Nova de Cerveira que a organização do evento lançou o projeto "Eu sou Bienal de Cerveira", que levou às ruas cerveirenses as primeiras memórias das Bienais Internacionais de Arte de Cerveira, através da partilha de registos fotográficos e de momentos de interação com o público. Para além de promover o evento em si, esta ação teve ainda em vista «reavivar a memória dos que presenciaram as primeiras exposições e elucidar os restantes populares da presença e importância do evento», refere a organização. Segundo o coordenador artístico, também este projeto tem colhido os seus frutos, tendo-se registado uma boa afluência ao mesmo. «Estamos a fazer de tudo para que mais cerveirenses adiram a este projeto que, no fundo, é deles», revelou. No que respeita a afluência de público a esta edição, o responsável considerou que estava a decorrer positivamente, tendo-se registado um aumento do número de visitantes a partir do dia 1 de agosto. «Talvez por causa das férias as pessoas começaram a rumar a Cerveira, que tem recebido muita gente. Logo, também o mesmo tem acontecido na Bienal», explicou o responsável. A quem ainda não visitou os espaços expositivos, Cabral Pinto aconselhou: «venham visitar porque vão ficar satisfeitos de certeza».Evento leva Cerveira além-fronteiras
É inegável o impacto que um evento com a dimensão da Bienal de Vila Nova de Cerveira tem no município, levando o nome do concelho além-fronteiras. Um efeito que tem tido também repercussões no que ao turismo diz respeito. Tal como explicou o coordenador artístico, «quando recebemos 35 países quer dizer que já temos uma projeção interessante a nível mundial». «Não somos a Bienal de Veneza mas queremos trabalhar para que um dia o possamos ser em Cerveira», referiu. No que respeita ao impacto no turismo da região, Cabral Pinto disse ter dados animadores por parte da Câmara Municipal de Cerveira com a qual mantém uma estreita ligação, até porque o presidente da autarquia é o presidente da Fundação Bienal de Cerveira. «Sabemos que existe uma relação causa-efeito [entre o número de turistas e a realização da Bienal]», explicou. Recorde-se que, nas últimas décadas, esta Bienal - a mais antiga do país e da Península Ibérica em termos de atividade – tem-se vindo a afirmar como um dos acontecimentos mais marcantes do mundo das artes plásticas a nível nacional, constituindo hoje um evento de referência para a cultura artística nacional e internacional. Para este alcance também tem contribuído a criação de vários polos expositivos, que este ano se estende a Paredes de Coura, Caminha, Vigo e Ourense. Em cada um destes polos podem ser vistas exposições. No Centro de Língua Portuguesa/Camões está patente o projeto internacional de cooperação cultural transfronteiriça "Aquarte – Uma mirada galaico-portuguesa sobre o rio Minho 2017", o qual mostra a visão de oito jovens artistas das duas margens do rio Minho. Já em Caminha, o Museu Municipal apresenta a mostra "A Paisagem no Acervo". No Centro Cultural Marcos Varcárcel, em Ourense, está patente a exposição "Entre o pincel e o rato", que propõe uma reflexão sobre a evolução das formas de comunicação inerentes às obras de arte. Por fim, no Centro Cultural de Paredes de Coura pode ser vista, a partir de 25 de agosto, uma circulação de esculturas relacionadas com as "Representações da Figura Humana".Autor: Rita Cunha