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Homenagem a Paula Rego marca a 19.ª edição da Bienal de Cerveira

Fotografia

Publicado em 15 de agosto de 2017, às 15:13

Até ao dia 15 de setembro, decorre a IXI Bienal Internacional de Arte de Cerveira, que reúne mais de 600 obras de artistas de 35 países.

A artista Paula Rego é a grande homenageada da XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira, este ano dedicada ao tema “Da Pop Arte às Trans-Vanguardas – Apropriações da arte popular”, propondo, assim uma reflexão relativamente ao choque tecnológico que o mundo vive. Em entrevista ao DM, o coordenador atístico da Bienal, Cabral Pinto, explicou que, na área expositiva dedicada à artista, são encontradas algumas obras de pintura, que são a sua «expressão mais forte», mas também «muita gravura», concretamente «um conjunto de gravuras muito interessante que abordam temas de relevo dos anos 70 e 80». No total, são apresentadas 51 obras, entre gravura, desenho e pintura, criadas entre 1968 e 2001, de coleções de Fundações, Museus e privados. De destacar a presença das pinturas “The Barn” (1994), do Museu Coleção Berardo, e “Lenços dos Amores” (1968), da Coleção Millennium BCP. Prestes a comemorar 40 anos, a Bienal presta, assim, homenagem a uma artista cuja primeira ligação remonta precisamente à primeira edição, em 1978, na qual participou como artista e a 1995, ano em que a reprodução da sua pintura “Guarda” foi capa do catálogo da VIII Bienal Internacional de Arte de Cerveira. Mas as homenagens desta edição não se ficam por Paula Rego, já que abrangem mais dois artistas. Um deles é o escultor, pintor e professor universitário Jaime Azinheira, que arrecadou o Prémio de Escultura na IV Bienal de Cerveira, em 1984, com a sua obra “Taberna”. A exposição dedicada a este artista pode ser visitada no Fórum Cultural de Cerveira, um dos polos da Bienal, e conta com uma mostra de obras inéditas da coleção particular da sua esposa, incluindo desenhos, fotografias e material documental. Ernesto de Sousa (1921--1988) é outro dos homenageados. Considerado uma das maiores referências da arte em Portugal e promotor de sinergias entre artistas do século XX, este historiador e investigador é homenageado no espaço expositivo do castelo. A curadoria está a cargo da historiadora Paula Pinto e do Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa, que apresentam uma abordagem inédita do artista, divulgando o estudo visual do seu trabalho fotográfico da primeira metade dos anos 60, enquanto ferramenta e veículo do seu pensamento. No seu todo, a Bienal é enriquecida com a presença de mais de 600 obras de arte elaboradas por 500 artistas de 35 países diferentes. Sobre o tema desta edição, Cabral Pinto adianta que este vem abordar uma questão que ainda não tinha sido abordada, que é todo o período do Pop Arte às Trans-Vanguardas, ou seja, «todos aqueles movimentos que surgiram entre os anos 50 e 80». «Este tema ainda não tinha sido abordado e achamos que era a altura para fazermos uma reflexão sobre as artes contemporâneas e, sobretudo, os movimentos que surgiram neste período», referiu o responsável.  

Programa complementar visa a formação de novos públicos

  Em paralelo às diversas exposições, a XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira tem à disposição dos seus visitantes diversos ateliês destinados a crianças e adultos, conferências, performances artísticas e teatrais e espetáculos musicais que têm em vista a formação de novos públicos e a fidelização dos já existentes. «A formação de público é o nosso objetivo. Temos uma meta a atingir –queremos atingir os 100 mil visitantes nesta edição - e, independentemente disso, queremos criar novos públicos que não estão habituados a estas exposições e queremos que as pessoas venham até aqui. Por isso também trouxemos a Paula Rego, que é um nome importante da época contemporânea portuguesa», referiu  o coordenador artístico Cabral Pinto. Segundo o responsável, este é um objetivo que tem sido cumprido, dada a «grande aceitação» por parte da população cerveirense mas também do «público que normalmente se interessa pela arte», oriundo de vários pontos do país e além-fronteiras. Foi também com este propósito de aproximar  a Bienal dos habitantes de Vila Nova de Cerveira que a organização do evento lançou o projeto "Eu sou Bienal de Cerveira", que levou às ruas cerveirenses as primeiras memórias das Bienais Internacionais de Arte de Cerveira, através da partilha de registos fotográficos e de momentos de interação com o público. Para além de promover o evento em si, esta ação teve ainda em vista «reavivar a memória dos que presenciaram as primeiras exposições e elucidar os restantes populares da presença e importância do evento», refere a organização. Segundo o coordenador artístico, também este projeto tem colhido os seus frutos, tendo-se registado uma boa afluência ao mesmo. «Estamos a fazer de tudo para que mais cerveirenses adiram a este projeto que, no fundo, é deles», revelou. No que respeita a afluência de público a esta edição, o responsável  considerou que estava a decorrer positivamente, tendo-se registado um aumento do número de visitantes a partir do dia 1 de agosto. «Talvez por causa das férias as pessoas começaram a rumar a Cerveira, que tem recebido muita gente. Logo, também o mesmo tem acontecido na Bienal», explicou o responsável. A quem ainda não visitou os espaços expositivos,  Cabral Pinto aconselhou: «venham visitar porque vão ficar satisfeitos de certeza».  

Evento leva Cerveira além-fronteiras

  É inegável o impacto que um evento com a dimensão da Bienal de Vila Nova de Cerveira tem no município, levando o nome do concelho além-fronteiras. Um efeito que tem tido também repercussões no que ao turismo diz respeito. Tal como explicou o coordenador artístico, «quando recebemos 35 países quer dizer que já temos uma projeção interessante a nível mundial». «Não somos a Bienal de Veneza mas queremos trabalhar para que um dia o possamos ser em Cerveira», referiu. No que respeita ao impacto no turismo da região, Cabral Pinto disse ter dados animadores por parte da Câmara Municipal de Cerveira com a qual mantém uma estreita ligação, até porque o presidente da autarquia é o presidente da Fundação Bienal de Cerveira. «Sabemos que existe uma relação causa-efeito [entre o número de turistas e a realização da Bienal]», explicou. Recorde-se que, nas últimas décadas, esta Bienal  - a mais antiga do país e da Península Ibérica em termos de atividade – tem-se vindo a afirmar como um dos acontecimentos mais marcantes do mundo das artes plásticas a nível nacional, constituindo hoje um evento de referência para a cultura artística nacional e internacional. Para este alcance também tem contribuído a criação de vários polos expositivos, que este ano se estende a Paredes de Coura, Caminha, Vigo e Ourense. Em cada um destes polos podem ser vistas exposições. No Centro de Língua Portuguesa/Camões está patente o projeto internacional de cooperação cultural transfronteiriça "Aquarte – Uma mirada galaico-portuguesa sobre o rio Minho 2017", o qual  mostra a visão de oito  jovens artistas das duas margens do rio Minho. Já em Caminha, o Museu Municipal apresenta a mostra "A Paisagem no Acervo". No Centro Cultural Marcos Varcárcel, em Ourense, está patente a exposição "Entre o pincel e o rato", que propõe uma reflexão sobre a evolução das formas de comunicação inerentes às obras de arte. Por fim, no Centro Cultural de Paredes de Coura pode ser vista, a partir de 25 de agosto, uma circulação de esculturas relacionadas com as "Representações da Figura Humana".
Autor: Rita Cunha