O desporto e a atividade física não são compatíveis com a palavra “pandemia”, por tal facto, com os números assustadores registados nos últimos dias as preocupações e a angústia crescem desmesuradamente na população em geral e particularmente na sociedade desportiva.
Ficar em casa para não ser contagiado, mas o tempo acumula-se, perdem-se valores, a socialização desaparece, os afetos, prodígio do povo português, são esquecidos e a ansiedade cresce sem limites.
O que fazer? Este é um tema que a mim pessoalmente me preocupa e já várias vezes me tenho debruçado em diversos artigos, porque não vejo luz ao fundo do túnel. Hoje morre muita gente derivado pelo vírus da doença covid-19, mas temo que no futuro morrerão muitos mais, não do vírus, mas das doenças associadas (obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares, etc.) ao sedentarismo a que estamos expostos, se não tivermos uma saída para este flagelo.
Sei que a atividade desportiva e o desporto são um combate feroz à doença mas as condições para que isso aconteça é que não estão ainda reunidas, segundo os responsáveis pela saúde pública.
«O ano de 2020 foi, sem dúvida, um ano diferente. Não em especial, por causa da crise económica, que, sendo dolorosa, não é, infelizmente novidade para muitos. O que trouxe de novo à atenção geral foi a pandemia, e com ela, a imponderabilidade e a força já esquecida da natureza» - António Cluny
Na formação desportiva, a grande vantagem da prática das modalidades de equipa sobre os desportos individuais é o desenvolvimento da noção do coletivo. Contudo se dentro da equipa, ou dentro de um clube temos capacidade de estimular a noção de pertença de um grupo, muitas das vezes verifica-se, que passamos a ter um comportamento muito individualizado. Muitas equipas dentro do clube, e muitos clubes dentro das diversas modalidades comportam-se como se fossem individuais e isso enfraquece a união coletiva.
Nesta tempestade, que todos estamos a viver, tenho sincera esperança que aumente a noção do coletivo, que todos dependemos uns dos outros e não do nosso individualismo, tão apregoado por algumas correntes de opinião. A importância da noção do coletivo é decisiva no acelerar da resolução desta pandemia.
“Mas o pensamento coletivo é geralmente de curta duração. Nós somos volúveis, seres estúpidos com memória fraca e grande talento para a autodestruição” Suzanne Collins
Com um forte desejo, que depois da tempestade, a bonança venha o mais rapidamente possível, tenho a esperança que tenhamos aprendido a ser mais coletivos, pois como diz Rose Bona, «Pensar no bem coletivo não é escolha é uma necessidade».
Por isso sejamos resilientes, acreditando que os maus momentos vão ser ultrapassados e possamos todos voltar a sentir a “magia da Disney” ou o “encanto de Paris”.
Autor: Luís Covas
Sejamos resilientes
DM
29 janeiro 2021