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Eucaliptos, barragens, eólicas e agora… o lítio?). Notícia de capa no jornal “Mensageiro de Bragança” de 5-9-2019 refere, justamente alarmando, que a “autorização para a prospecção de lítio, causa apreensão” por todo o Nordeste Transmontano. Quase ninguém havia dado por ela; porém, nesse sentido, o actual Governo autorizou essa prospecção e concedeu-a à empresa Fortescue Metals, através do Decreto-lei n.º 89/90, de 16 de Março; concretizada pelo Aviso n.º 6590/2019. A área da concessão abrange o melhor das fantásticas paisagens montanhosas e planálticas dos concelhos de Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Valpaços, Vinhais e Bragança (os 3 últimos para já numa escala menor). Numa região que depreciativamente designara por o “Circo” (eles lá saberão porquê…) e que pertence a uma vasta zona bem maior, a qual, num país minimamente civilizado (que infelizmente Portugal não é) teria sido, há muitas décadas, considerada, no seu conjunto, um Parque Natural, intocável. São sobretudo incluídas, no mapa da mineração, as áreas dos monumentais e profundos vales graníticos e cheios de fragas dos rios Rabaçal e Tuela (que se unem junto a Mirandela para formar o rio Tua, hoje bastante descaracterizado por uma barragem na sua foz, no rio Douro, apesar de esta violar o “património mundial”. Para quem conheça a área, são abrangidas, entre muitas outras, as paisagísticas freguesias de Rebordelo, Aguieiras, S. Pedro Velho, Torre de D. Chama, Vale de Gouvinhas, Múrias, Meles, Ala, Lamalonga, Bouzende, Soutelo Mourisco, Arcas, Podence, Corujas, Vilarinho, Brinço…
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Entre 2016 e 2019 foi requerida a Portugal uma área total de quase 10 mil km.2). Esta área corresponde a 10% do território português. Nem tudo será decerto concedido para prospecção mineira. Mas também nem tudo tem o valor natural, paisagístico (e turístico!) desta região, o norte de Mirandela-Valpaços-Vinhais. Uma região onde se juntam os vastos bosques de castanheiros, carvalhos ou pinheiros (da Terra Fria) com o que resta dos sobreirais (da Terra Quente); os quais, a Globalização vai substituindo por pindéricos olivais e amendoais. Refere a Quercus, citada pelo Mensageiro, que dos 50 pedidos de exploração registados, 22 foram-no no ano de 2016; e outros tantos, foram-no na 1ª metade de 2019.
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Matar a “galinha dos ovos de ouro” do Turismo).Portugal começou a perceber os “rios de ouro” que o turismo traz, quando desde os anos 60, o Algarve e outras praias foram invadidas por milhões de veraneantes estrangeiros. Por ser um país (até ao momento) a salvo do radicalismo islâmico e da criminalidade e delinquência organizadas, Portugal também percebeu que pode lucrar milhões com o turismo urbano, como se vê nos últimos anos. Se tiver governos minimamente inteligentes, Portugal poderá agora ainda optar pela 3ª (e última…) vertente do turismo; a que atrai aqueles muitos milhões de europeus, americanos, japoneses e chineses que são “devotos” da Natureza bem conservada, das paisagens intocadas, da observação das aves, da gastronomia tradicional, do folclore, da própria caça, se moderada.
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Incêndios, eucaliptos, olivais, barragens, eólicas, pedreiras, explorações mineiras…). Tudo isso mata a nossa “galinha dos ovos de ouro”, tudo isso afugenta para sempre os nossos “rentáveis turistas”. E só há uma 1.ª oportunidade para causar uma 1.ª boa impressão… Ou escolhemos o caminho da defesa (e reconstituição!) da Natureza e da Paisagem (e daí, com tempo, teremos grosso lucro) Ou escolhemos ser uma coutada dos sujos e milionários interesses estrangeiros da Globalização. Podemos “arrendar” (barato ou caro) o nosso território para sermos o caixote do lixo da Europa. Já o somos, aliás, desde que deixámos eucaliptizar metade ou mais, dos nossos bosques; ou agora, até, substituí-los por olivais intensivos, destruidores da paisagem e da avifauna. Ou quando permitimos a abusiva disseminação de barragens (incl. em rios secos!), de “parques” eólicos, de pedreiras sem lei, de ETARs, também.
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As novas concessões são para um vasto conjunto de minerais). Os pedidos, atenção, não se limitam à exploração do lítio. Abrangem também ouro, chumbo, zinco, estanho, cobre… Daí que, começando eles a destruir os nossos preciosos pedregulhos de xisto e de granito (que Deus Nosso Senhor, trabalhando durante milhões de anos criou com tanto gosto e carinho), esse processo de destruição da paisagem prosseguirá indefinidamente. E Portugal sairá a perder e “por uma goleada”. Será o fim do turismo rural e a desertificação de vastas áreas (a qual, aliás, não é inocente e já começou há décadas). Incluindo áreas preciosas no Alto Douro e na Beira Alta, também. De louvar, a posição intransigente, assumida por muitos autarcas do Minho, sobre todo este assunto.
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A Globalização e o lítio).Com o criminoso disparate da Globalização (para já económica, mais tarde migratória, política e militar), o mundo precisa de muito mais lítio; para baterias de automóveis elétricos, computadores, telemóveis. O mundo globalizado que tentam impor, permite ao Grande Capital (chinês, judaico, indiano, etc.) entrar fronteiras adentro e fazer exigências às quais os governos ditos “democráticos” se curvam com humildade e alegria.
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“Para lá do Marão”, um ditado ultrapassado?). Se a corrupção e as visões gananciosas e imediatistas continuarem a prevalecer, o ditado “para lá do Marão, mandam os que lá estão” (aludindo aos sóbrios séculos que medeiam entre o Pe. Manuel da Nóbrega e Miguel Torga), será enterrado “per secula seculorum”. Ironicamente, os locais diziam, com maior prosápia, que “para cá do Marão, mandam os que cá estão; e para lá do Marão, mandam os que de cá são”. E há um fundo de verdade: só desde 1974, lembremos Costa Gomes, Durão Barroso, Almeida Santos, J. Sócrates, M. José Morgado, Lucas Pires, Pires Veloso, Adriano Moreira, Isaltino Morais, Armando Vara, Edite Estrela, Carlos Magno, M. de Belém , Duarte Lima…
Autor: Eduardo Tomás Alves