Este governo está puído, isto é, está gasto e desgastado pelos últimos acontecimentos. Foi o caso do cidadão ucraniano, morto pela polícia alfandegária que espalhou o nome de Portugal pela lama que é conceito de coisa baixa e nada limpa. Tarde e mal o governo lá decidiu dar à viúva e aos órfãos deste cidadão a chupeta para se calarem e matarem a fome durante algum tempo, como se isso bastasse para matar saudades de uma esposa e o choro de três órfãos. Assim se apagam fogueiras e se remenda roupa rasgada. Depois a ministra da justiça cometeu uma injustiça do tamanho de um roubo, reforçando a ideia de que Portugal é um país onde a lei e a justiça se medem por métodos primitivos; não basta termos um governo afável, pactuante, se ele é conivente com subjetividades. Se as aldrabices se passassem cá dentro, como muitas vezes aconteceu em concursos públicos, ainda vá lá. Lembro-me a propósito que houve ,em tempos não muito longínquos um concurso para gerente da loja do cidadão; havia um candidato com mestrado em administração pública que foi preterido por outro cujas classificações que se conheciam há altura era ser militante do partido no poder. Mas como tudo foi cá dentro, assim ficou: o melhor candidato ficou a chuchar no dedo enquanto o outro ficou a chuchar num bom vencimento. E julgávamos nós e outros que o caciquismo tinha acabado com a democracia! É como na moda, do velho se faz novo ou como dizia Lavoisier, nada se perde, tudo se transforma. O compadrio era coisa da primeira república, onde os ministros nomeavam pelo fim da lista. Os intervenientes neste caso ainda estão vivos e podem testemunhar o que aqui se afirma. Mas voltando aos dois ministros que deixaram ficar mal o nome de Portugal; se estão no poder, mesmo fazendo o que fizeram, o culpado é o sr. Primeiro-ministro que não parece perceber que, ao mantê-los nos lugares, se torna conivente, parceiro e responsável. Vai num embrulho que pouco tem de orgulhoso. É o primeiro-ministro europeu, agora que Portugal tem a presidência da UE, durante os próximos seis meses! Que dirão de nós os outros? Talvez sorriam com benevolência, mas Portugal perdeu aquela autoridade que teria se estivesse limpo destes provincianismos ministeriais Dói-me a alma por Portugal e lamento a falta de coragem do sr. primeiro-ministro para “convidar” os dois ministros a demitirem-se “por motivos particulares”, já se vê. A diplomacia que amacia a verdade sempre existiu, mas ao menos que atue em conformidade com a objetividade dos factos. E a verdade é que , amigos, amigos, Portugal à parte, sr. Primeiro-ministro. Não podemos passar uma esponja sobre esta lesa-pátria nem nunca engoliremos a desculpa infantil que estes factos foram “lapsos” administrativos. Se calhar foi a datilógrafa que falhou!!!. Essa “datilógrafa” também interpretou mal o texto original e, deste jeito, tornou-se a capa que tapa mais altos responsáveis. Depois isto não é uma mera rixa política ou um aproveitamento empolado pela oposição; não, isto é muito sério porque estes dois casos, o do SEF e a do Procurador, rasgaram as vestes da honorabilidade do país. O primeiro-ministro governa um país que deve merecer a pátria a que se sujeita. Aqueles ministros deixaram a Pátria nua.
Autor: Paulo Fafe