“A democracia muitas vezes significa o poder nas mãos de uma maioria de incompetentes” - George Bernard Shaw - dramaturgo, romancista, jornalista irlandês - (1856-1950)
Ponto um - Causa apreensão, preocupação e revolta suficientes, o estado arruinado do país. Por mais sofisticada propaganda e anúncios que o governo faça e por mais desculpas que procure arranjar para justificar o injustificável, o país vive numa crise séria, tremendamente ensarilhada e com escassas hipóteses de remediar o grande problema que existe de facto. Pouca importa o dr. Costa desvalorizar a situação e ter fezadas que isto vai melhorar. Isto não se resolve com fezadas, mas com competência. Contudo, a gravidade maior disto tudo reside no descarte leviano de responsabilidades. É esta falta de carácter que impede que a crise seja esventrada para ser convenientemente analisada e dar-lhe, em seguida, a resposta política mais acertada.
Mas, quando se fala em “milagres”, o cenário muda de figura. Aparecem logo engalanados os arautos das boas novas para assumir os feitos homéricos. O caos invade, agora, os serviços públicos e o SNS no caso presente, mas a culpa é sempre dos outros. “Não temos nada a ver com isso. Nós até nos empenhamos”. - São argumentos deste tipo que os governantes debitam a todo o momento. Para nós fazermos de conta que acreditamos. Alguns até vão nesta treta. Depois, se este argumentário falhar, atiram todos os malefícios para a governação de Passos Coelho. Incrível estes preceitos e práticas socialistas. Mas, é o normal. Já nos habituámos.
Ponto dois - A pandemia veio escalpelizar as fragilidades do sistema de governação que tem sido incapaz e incompetente para atenuar este intrincado sarilho. Para a agravar a crise, a pandemia arrastou para o lodaçal desta nova realidade outros sectores que já apresentavam debilidades estruturais há bastante tempo. Portugal não pode continuar com este rumo desnorteado. A correr sempre atrás do prejuízo. A esperar pela sorte. A tal fezada do dr. Costa. O desnorte é total. O incumprimento das regras sanitárias também ajuda. Só por falta de autoridade, claro.
Era impensável que Portugal fosse o segundo país do mundo com novos casos de Covid por um milhão de habitantes e o primeiro da Europa. Estes números atestam bem a responsabilidade e a qualidade de quem nos governa. Nos momentos de dificuldade falham. E estrondosamente.
Ponto três - Este governo, ainda em funções, nunca quis, por conveniência geringoncista, incrementar um Plano de Reformas, eficiente e racional, para dar um alento rejuvenescido à economia e ajudar a criar uma outra dinâmica empresarial. A execução de um Plano de Reformas rigoroso e abrangente obrigaria o Estado a modernizar-se, de forma a torná-lo mais pequeno, mais eficiente e mais produtivo. Isso, a esquerda não quer. Perante o desafio da necessidade imperiosa de se fazer reformas, exigência incontornável da União Europeia, o governo prefere remeter-se ao cumprimento dos objectivos mínimos, a governar à vista e a distribuir os magros recursos financeiros provenientes de um crescimento económico que foi conjuntural. É aqui neste ponto que reside a incompetência e a miopia ideológica deste governo, dado que deu o crescimento conjuntural como garantido, imprudência que deixará nódoas bem marcadas no tecido social português.
Ponto quatro - Portugal está a viver politicamente mais um acto eleitoral. Prevê-se uma abstenção recorde. Esta eleição em contexto de crise pandémica severa não deveria realizar-se. Esta é mais um excepção idiota, que não tem sentido, nem pertinência imediata comparável às anormalidades da festa do Avante, do 1. de Maio, dos “apelos” do presidente da República e do primeiro-ministro para o pessoal ir à praia e almoçar fora. Cometeram-se erros de governação graves nesta matéria. Os responsáveis pela Saúde não aproveitaram o tempo de “acalmia” da primeira vaga para preparar o país para o que pudesse vir a acontecer. E agora o problema é dramático, atingindo números assustadores, quer de mortos, de internamentos e nos Cuidados Intensivos.
Autor: Armindo Oliveira