“Quem semeia ventos colhe tempestades.” - Adágio popular
Ponto um - Um governo que não avance com medidas assertivas, por conveniência eleitoral, que não enfrente com coragem os problemas, por oportunismo, e não faça reformas estruturais, para agradar aos extremistas, não poderá contribuir para construir um país com um futuro tranquilo. Isso é certo e sabido! Um governo de visão curta, de memória enviesada e selectiva, atado a ideologias fracturantes e alinhado em “focus group” não projectará para o exterior uma imagem de qualidade e de credibilidade. Isso também é certo! Pelo histórico, governar à socialista é mesmo fácil.
Ponto dois - A verdade, é que, esta estratégia saloia, de tudo adiar e de nada fazer, a não ser debitar milhões para tudo e para nada, tem mantido à tona a governação desta esquerda socialista retrógrada. Estas são e foram as marcas indeléveis das legislaturas corrente e da anterior. Tivemos um governo minoritário e de arrogância desmedida que perdeu oportunidades soberanas para desenvolver o país; tivemos um governo que encostou o país às boxes dos crescimentos anémicos e engordou bem as dívidas; tivemos, enfim, um governo que deixou a economia estagnar, bufando, contudo, propaganda a rodos. Os chavões de uma pretensa luta esquerda/direita continuam a enfraquecer e a fracturar a sociedade nacional. A comunicação social, atada, tem dado o seu contributo tácito em se calar ou a dar importância diminuta a escândalos e a polémicas que vão surgindo a todo o momento, como agora o caso do lugar na Procuradoria Europeia que foi “manipulado” para dar o cargo a um fidelizado. Acto repugnante que vem torpedear a transparência dos concursos. Enquanto estas realidades se cristalizam, nós, cidadãos ainda livres, assistimos à narrativa dos extremistas a dilacerar levianamente a família, a subverter os valores de uma cultura judaico-cristã e a conspurcar os princípios, os valores e a ética de uma democracia ocidental. Os extremistas tribalizaram a sociedade portuguesa.
Ponto três - A esquerda nacional tem memória curta. É um dos seus atributos. Esqueceu-se que houve o 25 de Novembro de 1975, que nos libertou das garras do PREC. Ou seja, libertou-nos dos comunistas, quer tivessem bandeiras estalinistas, trotkskistas ou maoistas. Esta gente esteve a um nó de pôr o jugo da opressão, da perseguição e dos gulagues a este povo que tinha abraçado a liberdade um ano e meio antes. A esquerda nacional tem-se esquecido ainda que houve a queda do Muro de Berlim, em que os povos do Leste Europeu, garroteados pela ditadura comunista, sentiram, finalmente, em 1989, o sabor delicioso da liberdade e da dignidade. Onde esta esquerda domina - Venezuela, China, Coreia do Norte, Cuba – só se vê repressão, opressão, perseguição. Nesses países, há campos de trabalho e campos de reeducação.
Ponto quatro - O dr. Costa sabia perfeitamente que, em 2020, a União Europeia, numa decisão inédita e corajosa, colocara o comunismo e o nazismo em pé de igualdade. O Parlamento Europeu já tinha aprovado em Setembro de 2019 uma resolução em que condenava os dois regimes ditatoriais por terem “cometido genocídios e deportações e foram a causa de perdas de vidas humanas e de liberdade numa escala até hoje nunca vista na história da humanidade”. Este facto, não impediu que o líder socialista tivesse negociado a viabilização do seu governo com os estalinistas e trotskistas, tendo aceitado, entretanto, muitas propostas do PCP e do seu satélite PEV. Contudo, o mais inverosímil é que o partido do dr. Costa também negociou com o Chega para aprovar a injecção de capital no Novo Banco, depois de ter dito reiteradamente que nunca, mas nunca o seu partido, alguma vez, negociaria com semelhante partido xenófobo, racista, reacionário e extremista. Mas a verdade, é que, negociou.
Ponto cinco - Enquanto se espera pelos efeitos benignos da milagrosa vacina, a economia do país continua a afundar-se, os sectores da restauração e da hotelaria entram em desespero, os trabalhadores da nacionalizada TAP estão inquietos, pois o despedimento de milhares de trabalhadores não é ficção. A abençoado “bazuca” tarda para ajudar a remendar tamanhos buracos e para dar alguma esperança a este povo de bolsos lisos e de mesas vazias.
A tempestade aí está, sendo caso para se dizer: quem vier a seguir que amaine os ventos.
Autor: Armindo Oliveira