“Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele”. Adágio popular
Ponto um - Os últimos acontecimentos políticos deram a volta ao “miolo” do dr. Costa. Sem dúvida. Os números galopantes da pandemia, as imensas dificuldades do SNS em dar uma resposta eficiente ao problema dos infectados, a economia em recessão, o descontentamento social que desponta e, fundamentalmente, a tomada do poder pelo PSD nos Açores provocaram tamanho rombo na esquerda que tem causado desorientações e incómodos nítidos no partido do governo, ainda entontecido, e, por arrasto, nas lideranças dos seus antigos parceiros da coligação negativa. Respira-se, de facto, um ar borrascoso em São Bento e é notório muito desnorte e precipitação nas medidas e nas decisões que vão sendo tomadas para mitigar tamanho pesadelo que não dá sinais de abrandar.
Ponto dois - É pena que a ideologia esteja presente neste problema candente de saúde pública. Este seria o momento adequado de colocar a ideologia de lado e de mobilizar todas as estruturas de saúde para se poder enfrentar a pandemia, no seu todo, com sucesso e obviamente com menos angústia. O número de óbitos não-Covid sobe em flecha, estando já nos patamares dos oito mil a mais (e injustificados) do que em igual período do ano anterior, o que representa um falhanço estrondoso nas políticas de Saúde deste governo que quer tapar o sol com a peneira ou atirar com serrim para os olhos das pessoas e até para a inteligência dos científicos.
É verdade que o governo debita a todo o momento contratações de mais médicos, de mais enfermeiros, de mais técnicos, de mais tudo. É verdade que o governo enrola a conversa que o orçamento para a Saúde é o maior de todos os tempos. É verdade que “tudo” estava preparado para combater o vírus. Mesmo com todas estas benesses, as listas de espera para consultas de especialidade e para as cirúrgicas continuam a estar nas ruas da amargura. Por falta de vigilância médica e de outros cuidados, as doenças de “pequena densidade” agravam-se fortemente.
Ponto três - Não fosse o uso e abuso da ideologia barata para justificar a linha de rumo traçado pela esquerda, ter-se-iam poupado muitos óbitos, muitas doenças em progressão e muito sofrimento das pessoas e dos seus familiares. Bastava activar, a tempo e a horas, os serviços de saúde privados que já prestam relevante serviço público no atendimento aos beneficiários da ADSE. Com uma planificação mais técnica e mais conhecedora dos problemas e com uma intervenção atempada, a situação Covid e não-Covid estaria mais desanuviada e bem mais fácil de ser resolvida de forma satisfatória. A manipulação dos dados e dos números e a aplicação de uma estratégia ambígua vieram intoxicar a realidade Covid. Daí, o desnorte do governo e a falta de confiança das pessoas nas informações da DGS e no Ministério da Saúde. É caso para se dizer: há mais vida para além da ideologia. Só que a esquerda só pensa e age assim.
Ponto quatro - Ainda a propósito da “anormalidade” da tomada do poder no governo regional dos Açores. O candidato do PCP/PEV já futurou a reabilitação da “direita” para uma potencial subida ao poder no continente. Queria este candidato dizer que se prevê a curto prazo que o poder central possa estar na mão do PSD, em coligação. É uma “profecia” óbvia, mas representa uma forte pancada nas mentes da esquerda que pensavam que o poder lhes pertencia, por direito próprio e para o todo sempre. Este pressuposto alinha-se com o dito de um amigo que se vangloriava que o PS, coligado ou não, só deixaria o poder lá para o ano de 2037.
Ponto cinco - Fiquei atónito com as afirmações do dr. Costa a propósito da perda do poder nos Açores. Quem diria que este socialista tivesse o desplante de criticar Rui Rio e o PSD depois do que fez a Passos Coelho em 2015. Há, de facto, qualquer coisa de muito estranho naquele personagem que não se apercebe bem, nem consciência disso tem. É feio proceder assim.
À luz da razoabilidade e dos novos desenvolvimentos políticos não se entende tamanha desfaçatez do líder dos socialistas. Será que o dr. Costa perdeu a memória do que fez em 2015?
Autor: Armindo Oliveira