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Um exercício de memória que todos podemos fazer). Agora que acabam de se perfazer 200 anos sobre a proclamação da independência do Brasil (7 de Set. de 1822). E no momento em que por lá decorrem mais umas eleições para a presidência daquela Federação de Estados, todos eles nascidos de anteriores capitanias ou colónias fundadas inicialmente por portugueses. Penso ser então chegado um momento em que cada um de nós poderia puxar pelas suas memórias familiares e recordar aqueles seus antepassados, parentes ou amigos que há muitos ou poucos anos disseram adeus à Europa e rumaram à longínqua “margem de lá do Atlântico”. Acto que, no passado distante, começava, ele mesmo, por ser uma aventura: navegar semanas pelo alto mar, o que representava, só por si, um perigo mortal.
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Apesar de Cabral ter nascido em Belmonte, ali ao lado da Covilhã…). Apesar disso, pareço não errar se disser que os 3 distritos portugueses em que terá havido menor emigração para o Brasil, serão os de Castelo Branco, Guarda e Santarém (cidade onde jaz o seu caixão). O Minho (leiamos Camilo…); o Douro e a Beira Litoral; T. os Montes, Lisboa, Alentejo, Algarve e as Ilhas, pelo contrário, foram alfobres de povoadores. Que desde o início incluíram uma boa percentagem de judeus sefarditas. E, trazidos por estes conversos, os numerosos africanos chamados à força para trabalhar nas plantações e minas; onde os indígenas americanos, obviamente recusavam trabalhar.
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O lado paterno da minha família ganha de longe ao lado materno). De ambos estes lados foi gente para o Brasil. Porém, do lado materno, não há antepassados meus que tivessem sido “brasileiros de torna-viagem”; apenas há parentes. Já do lado paterno, eu descendo (por 2 lados) de luso-brasileiros que, eles próprios ou seus filhos (de origem inteiramente portuguesa) acabaram por regressar a Portugal. Também contrastante foi a região de fixação, no Brasil, dos meus parentes ou antepassados “brasileiros”. Os maternos, originários da Feira, foram para a cidade de S. Paulo e um deles, para o Rio Grande do Sul. Os paternos, originários de Santiago (Olivª de Azeméis), foram para o Rio de Janeiro, sobretudo; mas um deles foi para Salvador (Bahia); e outros parentes, pais do futuro ministro republicano e embaixador (no Brasil…), Antº Luiz Gomes, para o Rio Grande do Sul.
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Os “brasileiros” do lado materno). Mais “recente” que o lado paterno, a emigração do lado materno data apenas de finais do séc. XIX. Isto, embora uma 2.ª prima da minha mãe, filha do médico Júlio Mota (de Souto Redondo) dizia ser parente de sangue de Salvador Correia de Sá (séc. XVII). A memória maior é contudo a de um tio da minha bisavó Joaquina dos Santos, da casa do Troncal, em Travanca (que é tia-bisavó do voleibolista olímpico J. Brenha). Esse antigo emigrante fez fortuna em Jaguarão (Rio G. do Sul) mas não deixou filhos vivos. As suas muitas casas foram trocadas pela minha bisavó, a troco de um açafate cheio de ouro… Para a minha mãe, décadas depois, chegou a ser pensado um namoro com um 2.º primo, que viria a ser general da Aviação paulista. E havia também o parente snr. Paulino Assunção, dono de padarias, com o seu bigode aparado, que regressou nos anos 60, cansado do desassossego de S. Paulo.
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O forte lado paterno). O meu apelido “Alves” vem da minha costela de Cucujães, terra mais ou menos “miguelista” e que não saiu de casa para ir para o Brasil. Os muitos que foram, eram os da casa de Figueiredo, em Santiago (OAZ), gente mais liberal e dada ao comércio (e depois, às Ciências, à Política e às Artes). Assim, um dos filhos do meu tetravô J. J. Costa Nunes (1795-1884, o qual foi soldado liberal, de quem eu tenho fotografia e que é irmão de um “bravo do Mindelo”) foi Joaquim Ferreira de Castro (1827-1913), próspero comerciante que passou mais de 30 anos na Bahia. Tal como o atrás citado ministro Luíz Gomes (pai do dr. Ruy L. Gomes, matemático e candidato de esquerda às Presidenciais de 1951), houve outra celebridade originária da casa de Figueiredo: o actor Ferreira da Silva (1859-1923, nascido no Rio e que foi marido da famosa actriz Virgínia). Porém, o mais ilustre luso-brasileiro da minha grei, terá sido o meu trisavô José Joaquim Godinho (1836-1885), que o rei D. Luís fez visconde de Santiago de Riba-Ul pelos seus rasgos comerciais e actos de benemerência (aos 15 anos, no barco para o Rio já organizava um peditório para a seca, em Cabo Verde…). Foi co-fundador da Beneficiência Portuguesa do Rio; do Gabinete P. de Leitura (era vice-director, quando morreu, aos 49 anos, apenas); fundou o Banco Rural e Hipotecário e o Lyceu Português. Casou com uma fluminense (da Candelária, no centro) que era filha do famalicense (de Outiz) J. Nepomuceno de Sousa, meu tetravô. Duas bonitas filhas do casal casaram com portugueses e regressaram à Pátria. Uma delas, a minha bisavó, casou (no Rio) com um parente, o famoso químico A. J. Ferreira da Silva (1853-1923), cientista católico e monárquico, mas a quem a França republicana e maçónica concedeu a Legião de Honra.
Autor: Eduardo Tomás Alves