Foi algo que teve o seu tempo: com regime instalado e sistema político disseminado, criou utopias e gerou feridas... a duração não atingiu, em época de furor, sequer um século. Falamos do regime comunista, que fascinou tantos militantes e que – na linguagem quase irónica – não passará de uns-vinte-e-tantos.
Outro sistema mais capcioso é esse do consumismo: o tal que faz, gera e gere a dependência do gastar-mais-gastar-muito... Filho dileto do capitalismo, o consumismo fascina muitos dos que viveram no regime comunista e outros tantos sequiosos de se satisfazerem com coisas materiais.
1. Vejamos uma breve caraterização descritiva do que é o comunismo. Este é um sistema ideológico, suportado por um movimento político, filosófico, social e económico cujo objetivo final é o estabelecimento de uma sociedade alicerçada numa ordem socioeconómica estruturada em ideias de igualitarismo, propriedade comum dos meios de produção e na ausência de classes sociais, da dependência no dinheiro e do Estado (coletivista).
O proletariado (ou a classe trabalhadora), que constitui a maioria da população em sociedade deve trabalhar para sobreviver. A esta 'classe operária' – na linguagem do comunismo – se opõe a burguesia (a classe capitalista), como uma pequena minoria que obtém lucro do emprego da classe trabalhadora por meio da propriedade privada dos meios de produção. Assim a revolução colocaria a classe trabalhadora no poder e, por sua vez, estabeleceria a propriedade social dos meios de produção, como o elemento primário na transformação da sociedade para o comunismo.
2. Acima de tudo está o coletivo, diluindo-se a pessoa – na sua diferença, capacidade, iniciativa ou com as qualidades – no todo, embora se criem novas 'classes' que vão piramidando a sociedade entre os que aceitam ou fomentam tal cultura e outros que a podem combater, em função dos valores humanistas.
Por que será que a mentalidade comunista continua a tentar reinar? Será por ignorância ou porque ainda há utopias?
3. A mentalidade consumista é hoje mais fervorosa do que aquela que vimos na ideologia comunista. O consumismo poderá 'definir-se' como algo relacionado com o consumo excessivo, ou seja, a compra de produtos ou serviços de modo exagerado. Podemos considerar ainda que o consumismo é característico das sociedades modernas capitalistas e da expansão da globalização. Ele está inserido na apelidada 'sociedade do consumo', onde o consumo massivo e desenfreado de bens e de serviços visa, sobretudo, o lucro das empresas e o desenvolvimento económico.
Se o comunismo despersonalizou a sociedade e a pessoa, fazendo-o como que ser 'coisa', o consumismo continuou esse processo de materialismo, onde o lucro passou a comprar a própria pessoa e quanto nela poderia ser valorizado... Quiseram – este abstrato pode e deve ter responsáveis – encher a pessoa com coisas, como se isso fosse a solução da identidade da própria pessoa.
4. «O fenómeno do consumismo mantém uma persistente orientação para o «ter» mais que para o «ser». Ele impede de «distinguir corretamente as formas novas e mais elevadas de satisfação das necessidades humanas, das necessidades artificialmente criadas que se opõem à formação de uma personalidade madura» (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n.º 360).
Diante deste 'fenómeno', nas palavras do CDSI: «é necessário esforçar-se por construir «estilos de vida, nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom, e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento» (...). O desafio cultural que hoje o consumismo põe deve ser enfrentado com maior incisividade, sobretudo se se consideram as gerações futuras, as quais arriscam ter de viver num ambiente saqueado por causa de um consumo excessivo e desordenado».
5. Porque somos mais do que mera coisa material abjuramos o comunismo e estamos vigilantes a toda a forma de consumismo... mesmo religioso.