Decorria o mês de junho (sanjoanino) do ano da graça de 2018, quando tive o privilégio de lá chegar pela primeira vez, a fim de desfrutar de um curto período de férias. Com uma área de, apenas, 42,48 km2, é um local de rara beleza e pacatez que, por isso, me fez lá voltar e de onde acabo de regressar. Naquela altura, na sua graciosa Vila Baleira, City, festejava-se, tal como em Braga, o S. João Batista, estando a sua Igreja Paroquial decorada a preceito, as ruas engalanadas e a música no ar. Já nós, visitantes, fazíamos aumentar a população local acima dos 5.149 habitantes (Censos de 2021) e, por conseguinte, proporcionando mais convívio entre nós e o povo ilhéu residente. Ou não estivessem, ali, os Anjos e o Herman José para animar a malta.
Com um sol radioso e calorzinho quanto baste, desta vez não foi muito diferente. Por isso, fortes razões havia para não serem postas em causa as suas tão agradáveis praias de areias claras, dotadas de propriedades terapêuticas, bem como as suas paisagens e o seu mar Atlântico de um azul-turquesa ímpar. Aliás, foi esse o motivo e não outro que aquele torrão luso – descoberto em 1418 por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, durante a sua epopeia marítima ao serviço do rei de Portugal, D. João I – foi alvo de sucessivos ataques de piratas.
Conta-se que Cristóvão Colombo em passagem pela Ilha se apaixonou por uma das filhas de Bartholomeu Perestrello (1394/1457), onde viria a casar e residir. Fidalgo e navegador português, Perestrelo, cujas andanças nas descobertas o fizeram principal responsável pelo povoamento da Ilha. Tendo-o levado a gizar um plano para a dotar de vida social e económica próprias, a fim de fomentar e incrementar as infraestruturas necessárias para quem lá quisesse viver e desenvolver a atividade diária, a fim de retirar o sustento próprio e dos seus.
Ora, por mais elogios que eu possa fazer àquele torrão inserido na chamada Macaronésia e reclamado pelos navegadores como porto seguro, não sou capaz de os fazer tão bem quanto o saudoso Max. Um ilhéu genuíno que lhe dedicou uma melodiosa cantiga: – “Oh, ilha de Porto Santo teu nome te fica bem, por isso te quero tanto como quero à minha mãe. § Terra amiga, como tu não há igual, és a joia mais antiga das joias de Portugal. § Oh, Ilha de Porto Santo, da uva tão saborosa, o teu sol é um encanto, tua praia a mais formosa. § Oh, linda Ilha dourada da água pura e sadia, da lua tão prateada, do sossego e d’alegria. Tens nos teus olhos moinhos moendo o pão do Senhor e nos beirais os pombinhos arrulham canções de amor”. Razões mais que suficientes para que a UNESCO, em 2020, a declarasse como Reserva Mundial da Biosfera. Isto, graças à biodiversidade ali existente, cuja fauna e flora é constituída por espécimes próprios daquele território.
Com um clima semiárido, o epíteto “Dourada” resulta não por nela haver ouro, mas pela cor semelhante da vasta plantação de cereais que se avistava do mar para abastecimento de toda a Região Autónoma. Já os seus motivos de interesse são vários, pelo que passo a citar apenas alguns, tais como os miradouros da Portela, Ponta da Calheta, Flores, os antigos moinhos, os trilhos para caminhadas, o Pico do Facho e o da Gandaia. Mas não só, quem for à Ilha da Madeira (usando 2 horas do seu tempo numa viagem a partir do Aeroporto do Porto) e quiser dar um pulinho a Porto Santo, tem ao dispor o famoso Leão Marinho, um generoso navio que comunica com as duas povoações, numa viagem tranquila e segura.
Desta vez, como da outra, a estadia soube-me a pouco. Daí, ter ficado com o desejo de um dia lá voltar não só para curtir os seus eventos e passeios à volta da Ilha, como saborear a gastronomia local, o delicioso bolo do caco, degustar um dedal do néctar da uva porto-santense e refrescar a goela com um gelado da “lambeca”. É que, às vezes, trocamos o que é nosso por destinos estrangeiros, quando podemos passar as férias num autêntico “paraíso” luso na terra.