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No Presépio de Belém (III) – Menino Jesus

Não sei se já pensámos numa hipótese – muita remota, em abono da verdade –, de recebermos, surpresos, a informação de que Deus, mais descriminadamente, a Segunda Pessoa da Trindade Santíssima, tinha assumido a natureza humana. Talvez que a primeira ideia que formássemos a respeito de tão inesperada notícia, fosse a de que esse facto tivesse ocorrido num lugar público afamado, pronto a manifestar a grandeza do novo ser humano. E que essa transformação ou humanização, nos apresentava um ser adulto, perfeitamente desenvolvido, capaz de mostrar a todos os congéneres desta terra a sua força, a sua inteligência e o seu desejo de conviver connosco, numa atitude dialogante e persuasiva, que nos deixasse totalmente conquistados na sua presença. No entanto, nada disso aconteceu, segundo o relato dos Evangelhos. A notícia seria muito diferente, pois nos punha ao corrente de que, num curral de gado, deitado numa manjedoira, aí se encontrava a Pessoa divina, que era também perfeito homem. Ficaríamos, com este acréscimo explicativo, a entender melhor que o acontecimento não tivesse suscitado qualquer alarido de modo imediato. Além de que, cada vez mais boquiabertos, saberíamos que o Deus humanado não era um homem adulto, forte e robusto, capaz de impressionar toda a gente, só de olhar para ele ao contemplar o seu aspecto físico. Pelo contrário, era uma criança recém-nascida, inerme, isto é, em tudo dependente dos cuidados de seus pais, desde a alimentação aos outros actos necessários à sua sobrevivência. Não poderia, assim, continuar entre nós sem ser alimentado e protegido de todo o ambiente exterior a si, ao qual não saberia nem poderia adaptar-se, se não fosse devidamente protegido por alguém adulto e cuidadoso. Recordaríamos a nossa infância, mas não dos primeiros momentos que vivemos, pois a memória não registou qualquer lembrança para relatar. Só viemos a saber mais tarde, a este respeito, que tais momentos dependeram integralmente do carinho e do amor da nossa mãe e do nosso pai, que nos ajudaram nessa fase incipiente de dependência total, a sobreviver e, com paciência e dedicação constante e esmerada, nos mantiveram na vida, até nos tornarmos capazes de ganhar uma certa autonomia e alguma compreensão da realidade circundante, e ainda a ter consciência de nós mesmos. Foi deste modo que viemos à existência e, paulatinamente, chegámos à idade da razão e, por fim, à maturidade. Quando dizemos que Cristo é perfeito homem, não deixamos de pensar que a sua encarnação não O tornou um ente esquisito e distante. Pelo contrário, conheceu e experimentou as mesmas fases da existência características da nossa natureza, desde a sua concepção até ao último suspiro exalado na Cruz. Desta maneira, Jesus, que é Deus, manifesta uma enorme confiança na capacidade que temos de gerar e educar novos seres. Dignifica a humanidade, sendo um homem entre outros, exactamente como nós fomos e somos, excepto no pecado.
Ao contemplarmos no presépio do nosso lar o Menino Jesus, olhamos para Ele decerto com o respeito e o amor que devemos a Deus, mas não esqueçamos que Jesus é mesmo um menino e não uma aparência de ser humano.
Por isso, Ele não se encontra sozinho, como se não precisasse de ninguém. A seu lado, encantados e enternecidos, estão Maria e José, os pais dessa criança que a vão alimentar, ensinar a falar, a relacionar-se com os outros e a amar a Deus sobre todas as coisas. Serão os melhores educadores de sempre. Toda a sua vida, a partir do momento em que Jesus é concebido no seio da Santíssima Virgem, espelha a entrega completa das suas pessoas à tarefa de educar o Salvador do mundo. Não poupam esforços e nunca se queixam diante de tantas adversidades e situações dolorosas que sofreram. São, verdadeiramente, pais exemplares. E como aprendeu o seu Filho com perfeito aproveitamento o que eles lhes transmitiram, a fim de cumprir integralmente toda a missão de que Deus Pai O incumbiu, ao pedir-Lhe que encarnasse.  
Autor: Pe. Rui Rosas da Silva
DM

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24 dezembro 2017