Eis-nos em plena fase de recrudescimento da pandemia, como era previsível aliás.
Os casos aumentam e os cenários para lhes fazer frente não faltam. A insegurança, porém, predomina.
O dever cívico de recolhimento não pode ser integralmente aplicado. Há trabalhos a executar, há compras a fazer, há compromissos a manter.
Para sobreviver, o ideal seria estar recolhido. Mas, sem meios de sobrevivência, como assegurar minimamente as condições de vida?
O equilíbrio é estreito entre a saúde e a economia.
É fundamental cuidar (de nós e dos outros) quando saímos até para proteger aqueles que não podem sair.
O medo não é caminho e o pânico só agrava a situação. Uma «pandemia psíquica» só iria sobrecarregar esta avassaladora «pandemia viral».
Temos de prosseguir a vida, embora não da mesma maneira. Temos de reaprender a viver, sem ceder ao desespero e sem ficarmos «degolados» pelo desânimo.
Não foi para momentos fáceis que Jesus trilhou um caminho difícil. Foi inclusive na adversidade que Jesus nos conduziu aos umbrais da felicidade.
Tomemos então, em doses contínuas, a «vacina C», a «vacina Cristo».
É a «vacina» contra o medo, é a «vacina da esperança». É por isso que estar com Cristo mobiliza, sobretudo em horas difíceis.
É uma «vacina» contra a tentação de desistir. E é também uma «vacina» do cuidado, da prudência.
A «vacina de Cristo» dá aquela vida para que «todos tenham vida» (cf. Jo 10, 10).
Não é a «vacina» da temeridade, do menosprezo dos perigos e do descuido dos outros.
A «vacina Cristo» está à nossa disposição nas celebrações comunitárias. Mas não está ausente na nossa casa, na nossa família, em todos os patamares da nossa vida.
A «vacina Cristo» não nos torna indiferentes. Atrai-nos para os outros, não abandonando ninguém à sua sorte.
Mesmo não podendo estar fisicamente perto, há uma miríade de formas de estar próximo.
Não coloquemos ninguém em risco. Mas a todos façamos sentir que entre nós prevalece Jesus Cristo.
Esta é uma «vacina» completamente gratuita. Não a desperdicemos.
Agora, também é tempo de ter um pouco de paciência. Pois – também agora – Cristo vai novamente mudar a nossa existência!
Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira