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Fragmentos: um perfume de Evangelho para 'as nossas circunstâncias'

Tomo o subtítulo de uma famosa frase do cardeal Lustiger, arcebispo de Paris, sobre o significado dos portugueses em França, nos anos 60 do século passado, nela incorporando parte do fragmento 104. É mais uma proposta de leitura repousada e refrescante que proponho. «Descansa, corpo, que eu te empresto a esperança e a paz. Eu sei o caminho que leva ao amanhã». (4) «Os olhos são a entrada de uma gruta, com uma nascente de luz dentro. Deles sai um sorriso às gotas, a pingar dos valados da pele. É para os olhos que falo olhando, sorrindo as palavras que não sei dizer, escrevendo um discurso profundo na ternura de um 'olá!'. O Lar de idosos é uma escola. Cada visita é uma lição: aprendemos a olhar!...» (13) «Tecer – saber tecer – eis uma arte a cultivar melhor. Tecer pedaços de sono juntando intervalos. Tecer bocados de conversa na pressa dos encontros. Tecer sorrisos nas horas calmas. Tecer olhares na porta de um sacrário. Tecer abraços na alegria de um reencontro. Tecer o amanhã nos fios do poente... Tecer o perdão na fraqueza das palavras. Tecer é ser novo, embora feito de tiras!..» (31) «Ser o que somos é obrigatório e é quanto basta». (35) «As dores ouvem-se de coração ajoelhado!». (36) «É o coração iluminado que vê e agradece; que ouve e responde; que se levanta e decide caminhar. … O coração é uma flor vermelha, ali junto à lapela, a soletrar o que de melhor somos capazes de pensar e de dizer». (39) «Nos cadernos como na vida, sem linhas é difícil manter as ideias claras!...». (49) «Na hora do silêncio, é dentro que não estou calado!... ». (60) «Já pouco sei do caminho, mas é procurando que vou!... Felizmente, alguém vai deixando marcas. Felizmente, ainda há estrelas!...». (65) «As surpresas são a marca diferente e divina no tempo. As surpresas são, quase sempre, o momento com mais futuro!...». (67) «... os amigos nem sempre se mostram, mas estão. E, oportunamente, pintam e perfumam as nossas circunstâncias!...» (104) «Têm olhos de algodão quando corrigem e as palavras ungem a verdade das dores. Os amigos!.. Discretos como anjos, estão visíveis ou invisíveis. São quase ubíquos entre o longe e o perto. Os amigos!... Espelho e diferença. Riso e lágrima. O nosso coração a bater noutro peito». (113) «Dizer honestamente : 'não gosto' é, porventura, a forma mais difícil de amar». (121) «Só escrevendo tenho um caderno para mostrar no Dia que for!» (134) «Apetece-me encontrar gente que sonhe e persista. Que seja capaz de bater o pé ao desânimo e ao comodismo. Que suba e se desprenda // que perca o sono com causas justas. Que morra em paz se em paz lutou... Um mundo melhor não acontece por acaso e sem riscos». (135) Fazer estas escolhas é também correr riscos, mas são os que eu assumo com gosto, porque 'Fragmentos' é mesmo uma obra extraordinária, que mais se avantaja quanto mais nela penetramos. Espero continuar e poder contagiar os leitores para a feliz aventura da leitura deste precioso 'caderno', fiel depositário de tanta riqueza literária, humana, evangélica e pedagógica. DESTAQUE «... os amigos nem sempre se mostram, mas estão. E, oportunamente, pintam e perfumam as nossas circunstâncias!...» (104)
Autor: Carlos Nuno Vaz
DM

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19 setembro 2020