Segundo dados estatísticos recentes, nos próximos dez anos 50 mil docentes vão reformar-se; e porque são cada vez menos os jovens a escolher a profissão de professor, a breve prazo vão faltar estes profissionais nas nossas escolas.
Não podem ignorar que há escolas onde a média etária dos seus professores ronda os 60 anos, fazendo com que, segundo a OCDE, o nosso país tenha uma classe docente das mais envelhecidas dos seus membros; e esta realidade, embora garanta um ensino/aprendizagem de melhor qualidade e, como tal, mais profícuo dada a experiência destes docentes, acarreta alguma desmotivação e escusa na aplicação e procura de meios e técnicas didáticas inovadoras, onde as novas tecnologias de informação e comunicação ganham espaço.
Depois, mais preocupante ainda, não sendo a profissão de professor atrativa, este facto conduz à diminuição da qualidade e dinamismo pedagógico/didático dos candidatos; e, aqui, se inicia e vislumbra um futuro para o ensino/aprendizagem de insucesso e de consequente abandono escolar.
Se bem nos lembramos já nos anos 50 e 60 do século passado iam dar aulas pessoas sem habilitação específica para esta atividade; e isto porque, perante a explosão escolar que originou uma evidente procura do saber, fosse por vontade dos alunos, fosse pelo empenho dos pais e encarregados de educação, escasseava a mão-de-obra docente habilitada, já que às poucas Escolas do Magistério e Universidades existentes faltava capacidade e meios logísticos para a formação massiva de professores a que somente a futura reforma de Veiga Simão (ministro da Educação) iniciada nos anos 70 veio pôr cobro.
Pois bem, após o 25 de Abril de 1974 a escola foi vítima de sucessivas convulsões que a mudança constante de políticas e de ministros da Educação agravou e manteve; ora, como corolário desta nefasta situação, o ministério da Educação foi aquele que, até hoje, mais ministros consumiu com óbvios prejuízos para a estabilidade emocional, organizacional e funcional da vida das escolas e dos seus professores e alunos.
Agora, sabido é que daqui resultaram problemas vários que levaram a escola à perda de autonomia, liderança e estabilidade e, consequentemente, ao aumento da burocracia, dependência e instabilidade; e deste descalabro organizacional resultam fatalmente a desmotivação, a desvalorização e a quebra do trabalho docente e discente.
Então, voltando ao início do tema, vejamos as razões maiores da não procura pelos jovens da profissão de professor: ser uma profissão mal vista e mal remunerada e de progressão lenta e difícil, acarretar imensas tarefas burocráticas, administrativas e de secretaria atribuídas aos professores bem como dificuldades acrescidas em lidar com o comportamento das novas gerações de alunos, exigir o acolhimento de todos os jovens sem atender aos problemas especiais que transportam, basear-se o sistema de concursos e colocações numa política errada e castradora e a colocação de grande maioria dos candidatos fazer-se longe das suas habituais residências exigindo uma segunda habitação, deslocalizações constantes de zona para zona que leva professores do norte para o sul e vice-versa com evidentes prejuízos monetários, familiares e emocionais, exigência de tempo demasiado para atingir a vinculação e um lugar nos quadros de escola e congelamento frequente da carreira, impedindo as subidas de escalão e consequente subida de vencimento, existência de turmas com elevado número de alunos e falta de um regime específico de aposentação, bem como a precariedade de emprego, o respeito pelo horário de trabalho e sua melhoria e uma constante desvalorização e desrespeito dos poderes instituídos pela docência e pelos docentes.
Depois, os sucessivos governos nunca investiram nos meios necessários e urgentes para uma Educação de qualidade, massificando, burocratizando, desinvestindo, concentrando e estatizando; e esta política concentracionista, dirigista e redutora tem conduzido à desmotivação, desclassificação e desmobilização dos professores com inevitáveis prejuízos para a imagem das escolas e para o ensino/aprendizagem, como igualmente para a procura da profissão de professor por parte dos jovens; e daqui até à falência dos objetivos, projetos e valores para uma Educação Nacional de qualidade, sólida e construtiva, vai um simples passo.
Então, até de hoje a oito.
Autor: Dinis Salgado