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Em retoma ou em redoma

A Semana Europeia do Desporto arrancou na passada quarta-feira e, durante uma semana, desafia os portugueses a praticar exercício físico. O evento, que no ano passado contou com mais de um milhão de participantes, enfrenta este ano um desafio maior devido às limitações sanitárias impostas pela pandemia de Covid-19. Assim, o Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), preparou oito dias temáticos, entre eles ‘Desporto no trabalho’; ‘Desporto na escola’ ou o ‘Desporto Inclusivo’, além das várias atividades presenciais ou à distância, onde os participantes poderão experimentar diversas modalidades, no caso dos ginásios aderentes, treinar sem qualquer custo. Para Vítor Pataco, presidente do IPDJ, a pandemia de Covid-19 fez com que este ano fosse necessariamente “diferente”, mas lembrou que a “situação única que vivemos” também trouxe benefícios, com as pessoas a começarem a praticar exercício físico mais regularmente. “Parece uma contradição, mas a pandemia e o confinamento a que fomos forçados fez com que as pessoas sentissem uma necessidade muito efetiva de fazer exercício físico. Queremos prolongar esse sentimento e vamos fazê-lo com criatividade, em segurança e com respeito pelas normas de saúde pública, procurando que a prática de atividade física se prolongue para lá desta semana”. Para o futuro, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, anunciou que o objetivo é que Portugal esteja, até 2030, entre as 15 nações europeias mais ativas fisicamente. No entanto esta temática levanta algumas dúvidas sobre essa realidade, que o Sr. Secretário de Estado preconiza, como se pode verificar pelos resultados de um inquérito realizado em Espanha, sob a forma como encarar a prática desportiva. Após uma breve análise sobre os dados do inquérito foi a introdução do questionário e os tempos que continuamos a viver que me levaram a escrever algo sobre o assunto. A prática da atividade física e desportiva é onde tudo começa a criar hábitos para o futuro. Para isso, a formação dos professores, treinadores e monitores será fundamental para a retoma da atividade desportiva, que em termos de desporto de formação se encontra estagnada. Para além da preparação técnica e pedagógica, em tempos de pandemia, temos que saber mobilizar os pais para não deixarem de levar os seus filhos à prática da atividade física ou desportiva, e ainda motivá-los a darem início a tão desejada retoma. Para tal temos que ter a capacidade de criar sessões cativantes que em simultâneo transmitam confiança aos pais. Paralelamente aos cuidados nas recomendações sanitárias, que temos que ter na organização dos treinos, também deveremos alertar os pais, para aquilo que eu apelido o perigo da redoma. Se colocarmos os nossos filhos numa redoma, indubitavelmente diminuiremos consideravelmente o risco de contágio, contudo também se está a potenciar outros riscos, dos quais pagaremos a fatura mais tarde. Se não os deixarmos socializar, se não lhes possibilitarmos uma prática regular de exercício físico provavelmente estamos a criar todas as condições para no futuro termos problemas duradouros bem difíceis de resolver.
Autor: Luís Covas
DM

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25 setembro 2020