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É tudo uma questão de memória

Em Braga, quem não tiver memória, fica a pensar que nada existiu até agora. Contudo, é todo o conjunto, patrimonial e não só, existente que faz de Braga Primeiro Destino Turístico Europeu.

Braga vai ter agora um “Central Park” — o nome que faltava no mapa da gestão de Ricardo Rio, cuja marca de água é lavar a cara dos equipamentos criados pela gestão socialista e mudar-lhes o nome.

A mudança de nome serve para alterar o passado, como se entrássemos num site de um jornal e apagássemos todos os textos e o periódico nascia hoje, sem passado, sem história e sem gente dentro. O nome é um elemento de individualização, é um direito de personalidade, algo íntimo, que carregamos por toda a nossa vida.

Chama-se a isto revisionismo da história de Braga. O revisionismo em muitas nações é considerado uma prática ilegal e falsificação da ciência, alinhadas com o negacionismo. A metodologia dos negadores é baseada em conclusões pré-determinadas, que ignoram a extensa evidência histórica em contrário sobre a autoria e a responsabilidade de actos passados.

A construção do novo “Central Park” vai ganhando forma: serão plantadas 190 árvores e 600 arbustos. Este projeto fará parte do Grande Parque da Cidade, com ligação direta ao Parque da Ponte. Serão...

Tudo começou com o Fórum — a que lhe acrescentaram um apêndice no nome — apalavrado pela marca de água de Ricardo Rio como a maior sala de espetáculos do Norte do país.

Depois o Complexo Desportivo da Rodovia: “…existindo há décadas, o Parque Desportivo da Rodovia carecia de algumas valências que foram agora supridas…”. Resultado do jogo: mudaram-lhe o nome para Parque Desportivo da Rodovia.

Em terceiro lugar, temos agora a Praça — antigo Mercado Municipal, inaugurado no tempo de Óscar Carmona, presidente da República do Estado Novo. As obras ainda não acabaram nas redondezas, mete água, foi inaugurado apressadamente em Dezembro e Ricardo Rio define-o como um “…mercado à imagem dos que existem nas grandes cidades europeias…”.

Em quarto lugar, temos as Sete Fontes, que passaram a ser — o futuro — Parque Eco Monumental das Sete Fontes, mais outro “…maior parque urbano do país…” — anunciava há dois anos o vereador do Urbanismo, Miguel Bandeira, ignorando o trabalho de décadas da AGERE que ali mantém dois funcionários a zelar pela qualidade das águas, a verdadeira riqueza daquele sítio. O actual sistema hidráulico foi construído por ordem do Arcebispo de Braga, D. José de Bragança, no século XVIII…

Outro exemplo, este mais recente: a Central de Camionagem — quem conheceu outro nome? A Câmara Municipal de Braga ainda não assumiu a sua gestão mas já lhe mudou o nome: passa a ser o Centro Coordenador de Transportes de Braga. E esta mudança de nome é a principal novidade num processo que se arrasta desde 2013. Em sete anos, a Central de Camionagem mudou… o nome.

Com este afã revolucionário de mudança, aguardemos para ver se os TUB, a AGERE, a BragaHabit, o Estádio Municipal, a Fábrica Confiança, a Arcada e outros equipamentos apelativos para fotografias, tendas e festinhas, não serão também rebaptizados.

O nome de uma marca está entre os aspectos que certificam a sua credibilidade: o nome distingue a origem e atesta a sua qualidade e a sua procedência, seja um produto ou um serviço. O nome passa confiança, credibilidade e valores que remontam às origens da marca.

Os bracarenses sabem que não foi Ricardo Rio quem construiu o Parque das Camélias, o Palácio de Exposições e Desportos, o Complexo Desportivo da Rodovia, o Sistema das Sete Fontes, a Central de Camionagem ou o Mercado Municipal. E mais: não criou os TUB, a BragaHabit, a AGERE nem a Fabrica Confiança, por cuja municipalização lutou ao lado do PS. Mas a ânsia de apagar pessoas das fotografias suplanta tudo!


Autor: Artur Feio
DM

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11 março 2021