Todos sentimos a necessidade urgente da preservação ambiental, nomeadamente dos ecossistemas, mas igualmente da criação de condições de habitabilidade urbana mais saudáveis e sustentáveis. Nesta matéria da mobilidade urbana, diria que “temos de dar pedal” para cumprir as metas Europeias na redução das emissões de gases de efeito de estufa e descarbonização em diferentes áreas das atividades económicas e transportes. Quando analisamos os pontos de exigência e o que foi feito, até ao momento, é preciso maior investimento na conversão dos hábitos dos portugueses e um reforço educativo de todos os usuários das vias públicas.
Em muitas cidades, vilas, montes e aldeias, tem sido feito um investimento em criar infraestruturas cicláveis, no entanto, as autarquias tiveram diferentes padrões de investimento, estudos e de estratégia na sua implementação.
Em muitos casos, fizeram-se investimentos descabidos, perigosos e diria, feitos apenas para terem acesso a fundos europeus de reforço para estes projetos. Noutros casos, fizeram-se infraestruturas com grande mais-valia turística e de lazer, mas que não trazem vantagens para a mobilidade quotidiana. E, ainda, há os bons exemplos, que desenvolveram projetos intermunicipais de promoção de redes cicláveis, que promovem quase todos os parâmetros de integração que têm que ser feitos.
As redes cicláveis para serem eficientes, têm que ser sistémicas - ter informação, coerência, segurança, conforto e potenciar a coesão territorial. O maior ponto de conflito destas redes - fundamentais em muitos locais do nosso país para a mobilidade das populações e nucleares para o futuro ambiental – prende-se com a própria cultura de quem anda e também de quem convive com a bicicleta. Portanto, neste aspeto a Educação para este padrão comportamental no uso da bicicleta como meio de transporte, deverá ser uma prioridade para todas as autoridades que tem obrigações na promoção das politicas adjacentes a esta temática. “Andar de bicicleta” entronca na saúde, na mobilidade, na economia, no ambiente, na educação e no desporto. Não chega ter infraestruturas, se não as potenciamos e se não as usamos com benefícios evidentes para todos.
Daí que, o manual, lançado esta semana, em Barcelos, de apoio ao Professor e ao Técnico qualificado, intitulado “Pedala! Da escola para a vida”, representa um grande passo para a promoção da Educação, em todas as áreas do uso das bicicletas, como meio de mobilidade e também de promoção desportiva. É um manual pedagógico que vai muito para além da própria bicicleta.
Na verdade, este manual entronca em temas atuais, mas que ajuda a perceber que a instrução e a educação no uso inteligente deste meio de transporte são dinâmicas fundamentais para o nosso futuro. É um instrumento, muito válido, para ensino do uso e manutenção da bicicleta, mas fundamentalmente nos pressupostos de base do respeito pela segurança dos diversos utentes da via pública, na inclusão, mas também da sustentabilidade ambiental do nosso planeta. É urgente e premente “dar ao pedal” para mudar a mentalidade, promover a educação, hoje, para poder usufruir de um futuro mais saudável e sustentável.
Autor: Carlos Dias
É preciso dar ao pedal
DM
25 fevereiro 2022