twitter

Do outro lado da linha...

Apesar de quase cinquenta anos de democracia e liberdade, continuamos à espera de um milagre, algo que nos traga mais emprego, melhores reformas e salários, estabilidade social, com saúde, educação e segurança social a transmitirem sinais positivos e garantia de uma economia próspera. Sucessivos governos e políticos prometeram e apontaram esses objetivos, mas continuamos a não dar resposta aos problemas dos cidadãos e do país.Hoje temos alguns cidadãos muito ricos e depois milhões a debaterem-se com dificuldades, em muitos casos situações mesmo de pobreza extrema.O trabalho precário, a justiça morosa, as situações de corrupção e um sentimento de impunidade, são apenas algumas das referências que continuam na agenda e nos programas dos partidos políticos. A questão torna-se grave porque os problemas não são de hoje e parece que vieram para ficar, ninguém consegue apresentar soluções para um futuro promissor.

As gerações mais jovens, porventura mais preparadas, também não encontram no país, sinais para se manterem por cá, com trabalhos mal remunerados e de curto prazo.

Recentemente tivemos eleições e agora vamos ter um governo de maioria absoluta, num cenário de ajudas internacionais quese forem convenientemente aplicadas, podem permitir melhores condições de vida, desenvolvimento, progresso, evolução e crescimento económico.

Outras questões, porém parecem inevitáveis, por certo teremos de ter projetos e prazos a cumprir, fiscalização e regras, riscos de incumprimento ou mesmo derrapagens, que não serão tolerados. Estaremos nós preparados para rapidamente responder e aproveitar os milhões que podem cá chegar? A nível interno sabemos que somos complicados, os projetos demoram demasiado tempo a evoluir, o "complicador" surge nas repartições públicas, nalguns casos a própria informação quando solicitada, torna-se um problema sem explicação. Um simples parque de lazer, para idosos e crianças, pode permanecer anos à espera duma decisão.

Promete-se muito, mas geralmente depois fazemos muito pouco. Por vezes fica a ideia e põe-se a questão de saber se a administração pública existe para colaborar com os particulares, ou para complicar os pedidos dos cidadãos? E não se diga que a culpa é do Covid ou da falta de pessoal, parece evidente que é uma forma de trabalhar de décadas, que ninguém ainda quis alterar.

Portugal vai ter mais uma oportunidade e oxalá aproveite bem os fundos europeus, investindo de forma a ter retorno, crescimento sustentável, desenvolvimento a todos os níveis. Agora não vamos ter desculpas políticas, pois a oposição vai estar muito limitada. Os próximos tempos são um desafio para todos nós.


Autor: J. Carlos Queiroz
DM

DM

16 fevereiro 2022