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Avanços “indigestos”

Liberdade é a fonte da qual brotam todos os significados e todos os valores”. (Simone de Beauvoir)

Por vezes, sinto-me algo confuso sobre tudo aquilo que se diz irradiar da liberdade e democracia. Questionando-me se tudo quanto vem sendo defendido por alguns partidos políticos significa evolução da sociedade humana, como seja: o aborto; a eutanásia; as drogas livres; o aniquilamento da família e dos valores; a ideologia do género; libertinagem sexual; falta de respeito; ausência de educação e boas maneiras; mentira; malcriadez e palavrão (hoje, léxico oficial dos humoristas); ódio; vingança; sobranceria moral, intelectual, etc. Se tudo isso contribui para a felicidade do ser humano?

É por essas e por outras que há extremos de uma certa direita a medrarem na Europa, graças à cegueira de alguma esquerda cujo fanatismo ideológico lhe turva o pensamento. Esquecendo-se de evoluir no sentido de se retratar e esclarecer o povo sobre se determinadas figuras históricas se constituíram fator de progresso e desenvolvimento, ainda que à custa de inúmeras atrocidades, do piorio, para com a humanidade e à custa da violação dos, por si, tão propalados direitos humanos.

Daí, o surgir de uma opinião pública que, tal como eu, não se revê não só em algum do discurso dessa mesma esquerda, como nas investidas que faz para legalizar certos caprichos seus. Daí, as pessoas começarem e refletir sobre se irão alinhar, ou não, em algumas inovações ditas de cariz progressista, embora cientes de que caso não concordem com tal discurso esquerdista, raramente se safarão. Que o digam certos comentadores, jornalistas e, até, artistas portugueses.

Contudo, ao que vimos assistindo no país é que quanto mais alguma esquerda e extrema-esquerda atacam os partidos do centro à direita, mais o extremo desta vai crescendo, enquanto o PCP e o BE minguam. E porquê? Porque, felizmente, há quem já desconfie da paixão que esses partidos nutrem por certos regimes políticos. Sobretudo, quando na sua retórica omitem certos factos históricos praticados pelo comunismo, tais como o genocídio do holodomor que, tal como o do nazismo, gerou milhões de mortos. Assim como as condenações à escravatura humana. O que quer dizer que o extremo das esquerdas é tão perigoso quanto o das direitas.

Mormente, sempre que, para seu conforto, vai usando Hitler e Mussolini como os únicos carrascos da humanidade – que, indiscutivelmente, o eram –, porém, nunca falando em Estaline, Mao, Fidel e outras más rezes. E se o foram, em tempos que já lá vão, hoje temos o Xi Jinping, Kim Iong-un e mais uns quantos líderes intolerantes que lhes seguem as anacrónicas ditaduras.

E só não vai mais longe porque, apesar de tudo, ainda há quem resista e diga não, por aí não vou. Ou seja, quem não apare o jogo às investidas de tais forças. Caso contrário, Portugal já teria sido engolido pelos regimes: chinês, norte coreano, cubano e de outros sistemas intolerantes, onde impera a ideologia e pensamento únicos.

Claro que há “tiques” preocupantes no nosso país. Senão, veja-se quando o nosso atual Primeiro-ministro, socialista, se aliou à esquerda radical no seu anterior Governo que caso não tivesse sido contrariado pelos partidos imbuídos de bom senso, onde é que isto já iria. Por isso, não se pode ser frouxo para com os que buscam o poder tendo por finalidade provocarem, apenas, ruturas sociais.

Ora, é por algumas modernices que nos tentam impor que, a meu ver, se torna necessário refrear certos avanços “indigestos”. Caso não achem, veja-se a gana com que alguma gente, pouco recomendável, empresta à legalização da morte provocada. Ansiosa pela luz verde de Belém, apesar de saber do deplorável estado do SNS; de que não há uma rede de cuidados paliativos e continuados para acudir a quem deles precise; da falta de médicos de família e de acesso às consultas, meios de diagnóstico e tratamento; à Justiça, etc. Estes sim, fatores preocupantes de desumanização a que urge acudir.


Autor: Narciso Mendes
DM

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24 outubro 2022